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Arrebatado Manuel Serra D’Aire

Edição de 23.02.2005 | E-mails do outro mundo
Já se sente a mudança no país após a eleição do José Sócrates para primeiro-ministro. Bastou-me olhar pela janela na manhã seguinte às eleições para ver até que ponto a força socialista pode mover influências e desencadear a fúria dos elementos. Lá ao longe vi, como há muito não via, nuvens negras premonitórias de chuva. Da renegada chuva que tanto amaldiçoamos quando nos molha da cabeça aos pés, mas que agora é tão desejada como o D. Sebastião ou a Marisa Cruz.Após meses e meses de seca, este é um sinal que não pode ser lido como mera coincidência. Das duas uma: ou São Pedro estava feito com os socialistas e decidiu mandar-nos água com fartura se a gente se livrasse do Santana Lopes ou as orações que começaram a ser feitas diariamente no santuário de Fátima a pedir chuva já estão a dar resultado.Seja quem for que tenha razão, há que o felicitar. Mas nada de euforias na reivindicação dos créditos, porque esta coisa de mandar vir chuva pode dar maus resultados. Os responsáveis do santuário de Fátima, por exemplo, estão sujeitos a ter à perna a malta da agricultura se em vez de umas pingas benéficas para as batatas cai para aí alguma tromba de água que leva o resto das culturas. Sabendo-se como se pelam os agricultores por subsídios, e ainda para mais tendo em conta que o santuário tem mais dinheiro em caixa que os cofres do Estado, já deve haver rapaziada a esfregar as mãos por mais um milagre de Fátima. Depois é só apresentar a factura ou, em último caso, colocar o santuário em tribunal por andar a apelar à fúria dos elementos e à destruição da lavoura nacional. Manel, escrevo-te na manhã de segunda-feira, após me ter ido inscrever como militante do PS. A vida está difícil, meu caro, e há que aproveitar as oportunidades. Já pensaste na série de tachos que vão vagar com a vitória dos socialistas? No bodo aos pobres que vai ser a distribuição de cargos e honrarias? Penso que não vai ser difícil criar os tais 150 mil empregos que o Sócrates prometeu. E eu espero que me calhe um a mim.É assim a roleta da vida. Uns a aprestarem-se para se sentar à mesa do orçamento e outros a serem chutados para canto. É o caso do nosso deputado do CDS Herculano Gonçalves, que desta vez vai ter de deixar a Assembleia da República. Já começo a ter saudades do incompreendido político, homem de visão a quem só o Presidente da República impediu de resolver o problema das fronteiras entre Santarém e Golegã.A sua pêra grisalha que tantas vezes brilhou na televisão apesar de estar na segunda fila do seu grupo parlamentar é um produto de marca que devia ser registado, assim tipo pêra-rocha. E se há quem faça orações pela chuva eu faço uma oração pelo nosso Herculano, defensor do fandango, dos touros e das procissões. Que não desapareça das nossas vidas como desapareceu a chuva. Que vai ser de nós sem a sua imagem compenetrada, ouvindo as intervenções dos seus colegas na Assembleia enquanto magica soluções para acabar com a poluição do Alviela, para resolver o conflito israelo-árabe ou para dar a independência do Tibete. Que pelo menos se arranje um lugar para o homem na plateia do Preço Certo em Euros ou do Quem Quer Ser Milionário, para não nos desabituarmos da sua presença assim de repente. Ou que, dadas as suas virtudes de aficionado e de homem da tradição, lhe seja dada uma chance pela futura secretária do Estado ou ministra Idália Moniz e se arranje um lugarzinho num gabinete de promoção do fandango e das pegas de caras ou coisa parecida. O Ribatejo agradecia!Um bacalhau demolhado do Serafim das Neves

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