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Uma paixão transformada em negócio

Lucília Vieira é a maior produtora de coelhos do Ribatejo

A paixão pelos coelhos já vem de longe quando, em criança, brincava com a criação da mãe. Há quatro anos Lucília Vieira concretizou um sonho e montou uma exploração pecuária no Olival, Ourém. Hoje é a maior produtora do Ribatejo.

Edição de 23.02.2005 | Economia
O “bichinho” já é muito antigo, de quando Lucília Vieira andava ainda na escola primária e se dedicava a brincar com a meia dúzia de coelhos que a mãe tinha no Olival, concelho de Ourém.Lucília foi crescendo e o “bichinho” virou paixão. Devorava tudo o que apanhava de literatura sobre coelhos, fosse genética, nutrição ou profilaxia. Quando achou que estava pronta para transformar a sua paixão num negócio, avançou sem medos.No dia 5 de Novembro de 1990 - no mês em que entrou como estagiária no Centro de Emprego de Tomar, depois de acabar o curso de gestão de empresas - comprou as primeiras 50 fêmeas reprodutoras.Todos os dias, antes de ir para o trabalho, Lucília dedicava cerca de meia-hora aos seus bichinhos. Via os ninhos, fazia apalpações e certificava-se de que o automatismo da alimentação e das águas estava a funcionar. Lucília Vieira é daquelas pessoas que tem de estar sempre envolvida em alguma coisa e a criação de coelhos funciona como um “escape” ao seu trabalho na função pública. Quando inaugurou o Centro de Emprego de Torres Novas sentiu que em termos de organização as arestas já estavam todas praticamente limadas e que precisava de mais para queimar as suas energias.E decidiu aumentar a sua produção. “Hoje só consegue vingar no mercado quem tiver coelhos em quantidade. Um pequeno produtor não tem hipótese porque as margens são cada vez mais apertadas”, sentencia a empresária.Confessa ter passado muitas noites sem dormir quando comprou o terreno onde hoje tem três pavilhões e 15 mil coelhos. “Não tinha dinheiro, estava cheia de dívidas mas decidi que, se já tinha chegado ali, só me restava avançar. Tudo o que tenho e o que não tenho está enterrado aqui, porque não sou filha de nenhum ourives”.A produção do Solar do Monte foi oficialmente criada há cinco anos. Um nome que Lucília Vieira perspectiva transformar numa marca própria, de venda directa ao público, se tudo correr como o previsto.Neste momento a empresária só vende coelhos vivos – a produção do Solar do Monte, a maior do distrito de Santarém e uma das maiores a nível nacional, vai toda para um matadouro no Bombarral, que se encarrega depois da distribuição nacional. Lucília gostaria de ser ela a matar, embalar e colocar nos consumidores a sua produção. Porque ao nível da apresentação do produto ainda há muito por fazer. Mas, diz, o passo não pode ser maior que a perna.Antes disso a empresária pretende dar um passo mais pequeno – embalar o estrume de coelho para vender ao público. Porque, como diz, não há melhor fertilizante para qualquer terreno que o estrume de coelho. “Não é ácido e é muito rico em componentes orgânicos”.A empresa já está feita e Lucília tem até quem lhe compre grande parte da sua produção – uma cooperativa espanhola de produtos biológicos.Margarida Cabeleira

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