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A arte de moldar o barro

Jorge Barros é formador de artes decorativas na Cerci, em Azambuja

É no ateliê de cerâmica da Cerci Flor da Vida, no Páteo Valverde, em Azambuja, que o formador Jorge Barros passa os seus dias. Ensina a arte de moldar e pintar o barro a pessoas muito especiais que têm na instituição uma oportunidade única de integração na sociedade.

Edição de 23.02.2005 | Identidade Profissional
À porta do ateliê Mãos com Vida, onde funciona o curso de cerâmica da Cerci Flor da Vida, no Páteo Valverde, em Azambuja, algumas peças de barro secam ao sol. Lá dentro o monitor Jorge Barros, 39 anos, orienta os formandos e vai pincelando em tons de azul e branco os diplomas em cerâmica que os alunos vão receber no dia 28 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal.Dois dos três alunos que terminaram o último curso já têm emprego garantido. Uma das alunas foi contratada para a loja do ceramista Jorge Barros e a outra foi convidada pela Cerci para integrar a equipa da sala de cerâmica.Para Jorge Barros, residente em Azambuja, esta é a parte mais gratificante da profissão. “É bastante reconfortante sentir que ajudamos a encaminhá-los”, descreve o formador.Muitos dos alunos da Cerci Azambuja são portadores de Trissomia 21 ou possuem dificuldades de aprendizagem ou comportamentais. O trabalho que desenvolvem na instituição é muitas vezes a única forma de integração na sociedade.Ao longo do curso, com duração de quatro anos, os alunos aprendem a moldar o barro, dominam a técnica do rolo e da placa, efectuam os acabamentos e pintam as peças. A decoração de sacos de papel também faz parte do trabalho da sala. Muitas empresas da região já se renderam aos produtos da instituição e fidelizaram-se como clientes.A Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de Azambuja e a Sugal encomendam à instituição os cartões de Natal e os vinhos da Quinta de Vale de Fornos, em Azambuja, são vendidos dentro de sacos de papel criados pelos alunos da sala.“Muitos dos alunos podem não ter aproveitamento na escola, mas no trabalho são tão bons como qualquer outra pessoa”, garante Jorge Barros.Alguns dos ex-formandos não conseguem integração no mercado de trabalho porque não existem muitos ateliês na região, mas também porque algumas empresas fazem diferença em relação a pessoas com este tipo de dificuldades, como confirma o professor.Além de dar formação na área de cerâmica, Jorge Barros também colabora com a instituição no sector das artes gráficas e decoração. O seu dia começa às nove da manhã e termina normalmente às 17h00, excepto nas épocas festivas em que a procura dos produtos da instituição é a duplicar.Jorge Barros considera que a maior dificuldade da profissão é ter que repetir muitas vezes as mesmas tarefas. O formador confessa que é exigente com os seus alunos. “Eles sabem que têm que ser melhores que a carpintaria ou que a costura”, ilustra. O melhor do trabalho é que cada dia é sempre um desafio, apesar de se repetirem as mesmas tarefas.O interesse de Jorge Barros pela cerâmica começou em 1989, depois de frequentar um curso do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Em 1990 foi convidado pela direcção da Cerci de Azambuja para dar formação na área.Há dois meses o ceramista lançou-se no desafio de abrir uma loja no Centro Comercial Atrium Azambuja, a “Flower Design”, onde tem expostos alguns dos seus trabalhos, não só obras em cerâmica, mas também arranjos florais.Ana Santiago

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