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A festa socialista

Militantes passaram pela sede de campanha mas as maiores comemorações foram na rua

O PS elegeu seis deputados pela primeira vez em Santarém. Um resultado histórico amplamente festejado.

Edição de 23.02.2005 | Política
Às oito da noite, assim que as televisões avançaram com os resultados das sondagens, as faces dos cerca de 70 socialistas que estavam na sede campanha do PS em Santarém abriram-se num sorriso que não mais se fechou até à caravana da vitória.Com o ecrã gigante instalado no primeiro andar ligado na TVI, os militantes iam acompanhando as previsões para cada distrito. Curiosamente, depois da satisfação inicial com as previsões para o país, os primeiros aplausos foram para as projecções para Coimbra, que davam a não eleição de Nobre Guedes (CDS/PP), que durante a campanha tinha pedido à população que boicotasse a entrada de José Sócrates na cidade devidos às questões da co-incineração.Por falar em poluição, fosse por euforia ou nervosismo, havia quem não largasse o cigarro. O ambiente era quase irrespirável mas ninguém se importava. Para quem tivesse mais sede arranjava-se sempre uma mini Sagres ou um copo de tinto. Numa sala ao fundo, havia também bolos para consolar estômagos mais vazios.Nelson Baltazar, número cinco da lista socialista, era o homem dos contactos. De telemóvel em punho ia confirmando os resultados. A dez minutos das nove da noite comunicou outra alegria. “Ganhámos em Mação e Sardoal”, dizia para uma plateia quase incrédula com a vitória em terras habitualmente de maioria PSD. “Assim quase de certeza que elegemos o nosso sexto deputado”, confessava ao repórter de O MIRANTE.Entretanto, na rua, já havia quem fizesse a festa. A rotunda junto ao W Shopping enchia-se lentamente de carros e as muitas bandeiras que existiam no rés-do-chão da sede de campanha, onde se acompanhava a votação concelhia, iam desaparecendo para serem desfraldadas ao vento nas janelas dos automóveis.Às 21h25 a grande notícia. “Já está. Foste eleita”, disse Baltazar para Fernanda Asseiceira, a sexta da lista do PS e a última a ser eleita. Sucederam-se cumprimentos e abraços até que alguém perguntou se não era melhor irem para os carros e para as caravanas.Mas ainda faltava a conferência de imprensa. Com Jorge Lacão, Vitalino Canas e Idália Moniz ausentes, coube a Paulo Fonseca comentar a votação. O presidente da Federação Distrital do PS de Santarém começou por revelar o seu contentamento pela maioria do partido quer a nível nacio-nal quer distrital.“Ganhámos em 20 dos 21 concelhos do distrito de Santarém. É um resultado histórico e esmagador”, disse referindo-se à eleição de seis deputados socialistas no distrito de Santarém, o que aconteceu pela primeira vez. É um resultado claro em relação à ambição dos cidadãos do distrito e à esperança que o PS representa para esses cidadãos”, completou.Paulo Fonseca manifestou igualmente o seu apreço pela participação esmagadora dos eleitores e pela inversão da tendência abstencionista. Em sua opinião, “os eleitores tomaram consciência da encruzilhada em que o pais se encontrava e da necessidade de uma alternativa credível e estável”.Paulo Fonseca garantiu que já tinha previsto um resultado desta dimensão, admitindo que o grande resultado obtido pelo PS se devia também ao voto de protesto e à penalização dos governos do PSD.Sobre a possibilidade de algum dos deputados eleitos vir a assumir um cargo no futuro Governo ou na administração central, Paulo Fonseca diz que a escolha caberá a José Sócrates e que respeitarão as escolhas do líder.Fernanda Asseiceira, a última deputada a ser eleita nas listas do PS, não ficou surpreendida com a sua eleição. “Vi que as pessoas tinham vontade de mudar e a confiança que pareciam depositar em nós fizeram com que eu acreditasse que era possível ser eleita directamente. Estou satisfeita a nível individual mas sobretudo pelo país”, afirmou.

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