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A miséria envergonhada e os falsos pobres

A miséria envergonhada e os falsos pobres

Cáritas do Entroncamento não tem mãos a medir

A Cáritas do Entroncamento começou a funcionar em 1983 pela mão da irmã Alice e hoje apoia 48 famílias. Mensalmente aparecem novas pessoas a pedir ajuda. Na última semana, foram quatro as que fizeram a sua inscrição na nova sede, na Rua Sozzi, perto da zona verde, que já está a funcionar, mas que é inaugurada oficialmente no dia 27, dia da Cáritas.

Edição de 23.02.2005 | Sociedade
Alexandre Evaristo, presidente da Cáritas local, conta que muitas das pessoas que pedem não precisam. E há muita pobreza envergonhada que só se descobre por denúncia dos vizinhos. Geralmente, quem pede quer dinheiro. “Isso não damos”, sublinha enquanto caminha por entre sacos de roupa espalhados pelo chão. Vestuário oferecido pela população e que está à espera de ser separado por tamanhos e categorias. Há pessoas que tentam enganar os voluntários. Alexandre Evaristo já apanhou pessoas que estacionam uma carrinha numa rua adjacente à sede, de onde sai pelo seu pé uma pessoa que é colocada numa cadeira de rodas. O objectivo é impressionar os voluntários que procedem à entrega de alimentos e roupas às terças e quintas-feiras das 15h00 às 17h00. Às vezes é preciso recorrer à protecção policial para acalmar os ânimos de quem se concentra à porta da Caritas e quer a todo o custo um apoio monetário. Para verificar se determinada família é carenciada, os 14 voluntários do Entroncamento vão ao terreno verificar as condições. Os dados do agregado familiar são cruzados com a Segurança Social, a câmara municipal, os centros de emprego e a Comissão Local de Acompanhamento Social, que reúne instituições de solidariedade, associações, colectividades, entre outros.Cada pessoa que é ajudada tem uma ficha individual com todas as informações sobre rendimentos, dados pessoais, tipo de ajuda que tem recebido… Para receber apoio tem que possuir um cartão. Para além da dádiva de roupa e alimentos, a Cáritas paga rendas de casa, gás, luz, água, óculos, dívidas... Comparticipa-se também na compra de medicamentos, com a apresentação da receita médica. A Cáritas dá uma requisição que é entregue na farmácia e na qual está o montante da comparticipação. Geralmente, é de 50 por cento, mas pode ser na totalidade consoante o estado de pobreza. Há um contacto permanente com estes estabelecimentos. Algumas pessoas já levaram as ajudas cortadas porque na mesma farmácia compram perfumes de dezenas de euros. Alexandre Evaristo está empenhado no desenvolvimento da Cáritas do Entroncamento, que antes estava instalada numa garagem sem condições na Rua da Fé. A nova sede, cuja renda é paga pela câmara municipal e junta de freguesia, é uma das partes visíveis dessa dedicação. Recentemente começaram também a apoiar toxicodependentes, encaminhando-os para tratamento e arranjando-lhes emprego. Definindo a Cáritas como o braço direito da caridade da igreja, Alexandre Evaristo sublinha que o grupo está aberto também a leigos. A lógica que é seguida é a de resolver o problema da pessoa e não dar-lhe dinheiro, porque esse normalmente é gasto no vício e não na necessidade. Os voluntários trabalham por amor à caridade, em tempo que é retirado à família, aos prazeres da vida.
A miséria envergonhada e os falsos pobres

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