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Assertivo Serafim das Neves

Edição de 02.03.2005 | E-mails do outro mundo
Estou como tu. Também vou sentir um vazio quando olhar para a mini-bancada do CDS/PP na Assembleia da República e não vir lá o senhor Herculano Gonçalves. Durante uns tempos vou ver se não tropeço no Canal Parlamento durante o meu zapping televisivo das dez da noite para não me sentir órfão. O sistema político é extremamente injusto. Vamos lá ter os nossos cromos distritais todos, pela enéssima vez, menos o Herculano. Vai lá estar a Luísa Mesquita, o Jorge Lacão (não acredito que o Engenheiro Sócrates nos faça a maldade de o mandar para outro lado), o incontornável Miguel Relvas. Enfim, vamos lá ter “la créme de la créme” da política cá da terra menos o homem da pêra grisalha; o super-medidador de guerras fronteiriças municipais; o único deputado que recebia eleitores uma vez por semana em Santarém. Apetece-me gritar a plenos pulmões: “Mas que raio de democracia é esta???” Mas falemos de coisas bem diferentes, Serafim. Anda tudo maluco para os lados de Torres Novas só porque apareceram umas pessoas a perguntar se podiam transformar a aldeia do Boquilobo num “Boquilobo Village Club”. Uma espécie de retiro para pacatos velhotes do norte da Europa que, sabe-se lá porquê, estariam interessados em vir experimentar as picadas das melgas e mosquitos portugueses para desenfastiar da vida demasiado tranquila que levam lá na terra deles.Não sei quantos mais pedidos de viabilidade para construção de uma mega-aldeia vicking é que a tal empresa terá feito em Portugal. Mas se não fez mais nenhum é porque não está familiarizada com o sistema de leilões inter-municipais que se pratica por cá. Geralmente demanda-se viabilidade para o mesmo projecto a uma dúzia de municípios a ver quem dá mais e depois é que se pensa no assunto.A minha avó que era muito desbocada diria que nestes casos os autarcas “dão o cu e oito tostões” para arrematarem o investimentozinho. Outros referirão que eles se baixam tanto aos interesses dos pretensos investidores que até se lhes vê o cu. Enfim, valha-nos esta brejeira libertinagem crítica.Quem manda na câmara de Torres Novas apresenta um invejável currículo de arrebanha em matéria de investimentos furados. Não é preciso ter grande memória para nos lembrarmos da viabilidade dada à construção de um hotel de luxo asiático para o centro da cidade de que ninguém quer falar agora. E da reserva, feita há anos, de um edifício amarelo, ainda não estreado, para uma universidade que nunca se viu.Com as vivendinhas e campos de golfe do Boquilobo é quase certo que se irá passar o mesmo. Muita conversa fiada para nada. Serafim, se tu vivesses na Suécia, Finlândia ou Noruega, fosses velhote e tivesses uma lécas, compravas uma quintinha no Boquilobo para gozar o resto da reforma? Tens a certeza???!! Tu consegues imaginar dezenas de funcionários de agências de viagem, no aeroporto da Portela, a acenarem com cartazes do tal “Boquilobo Village Club” a hordas de passageiros vindos directamente de lares de terceira idade dinamarqueses??? Eh, pá, eu quando tomo os comprimidos da tensão com vinho tinto dão-me uns vaipes do caraças mas nada que se pareça com uma coisa assim.Pelo sim, pelo não, os Verdes, com aquela tendência para algazarras ao natural, já armaram uma acçãozinha mediática à volta da coisa. Para já é um abaixo-assinado, sistema cuja ineficiência já foi confirmada vezes sem conta mas que continua a marcar presença nas contestações nacionais por uma questão de tradição. A seguir poderá vir um slogan e até, quem sabe, um auto-colante. Daqui a uns tempos é mais uma para o currículo do partido. “Salvámos a reserva da biosfera”, apregoarão aos quatro ventos. E por falar nisso, já perguntaste aos teus vizinhos se eles sabem o que é a biosfera? Eu perguntei na última reunião de condóminos e ia levando uma trepa do gajo do segundo direito. A muito custo lá o convenci que aquilo não tinha nada a ver com as arrojadas esferas que a esposa se esforça, sem sucesso, por arrumar no sutiã. Um quebra-ossos estratosférico do Manuel Serra d’Aire

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