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Entre pechinchas e material de refugo

Entre pechinchas e material de refugo

Primeira Feira de Stocks do Ribatejo superou todas as expectativas

A afluência foi grande à I Feira de Stocks do Ribatejo, realizada no fim de semana em Torres Novas. Poucos foram os visitantes que saíram de mãos a abanar. Os leilões foram a parte mais fraca do certame.

Edição de 02.03.2005 | Economia
“Temos aqui uma estatueta muito bonita. Isto é artesanato puro, não é daquelas coisas que se fabricam em série. Tem um valor comercial de cerca de 150 euros e nós vamos pô-la na praça a 20 euros. Apenas 20 euros por esta peça praticamente nova, quem dá 20 euros por esta estatueta, serve para pôr na sala ou no escritório, quem quer dar 20 euros por ela? Ninguém?”.Ninguém quis comprar o homem feito de madeira e pintado de vermelho e azul. Como ninguém também licitou os dois automóveis que no sábado foram a leilão na I Feira de Stocks do Ribatejo, realizada no parque de exposições da Nersant, em Torres Novas.O leiloeiro bem apregoava as qualidades do material em praça mas as muitas pessoas que ocorreram no sábado à feira pareciam mais interessadas nas calças de ganga a dez euros, nos sapatos de senhora e homem que podiam levar por um mínimo de cinco euros ou até nos reduzidos e sugestivos biquinis brasileiros, à venda a partir de uma nota de cinco euros.Na I Feira de Stocks do Ribatejo, realizada no último fim de semana, quase tudo se vendia, desde roupa e calçado, artigos de bijuteria e ourivesaria, móveis e artigos de decoração, vitrines e máquinas para a indústria hoteleira até ferramentas para as mais diversas actividades.Os preços também eram variáveis. Desde a verdadeira “pechincha”, como as camisolas de criança a um euro, a peças de discutível gosto e preço muito longe do considerado de ocasião.Nesta espécie de feira da ladra em recinto fechado, os vendedores discutiam algumas vezes preços com os possíveis compradores - “Se levar duas peças em vez de uma faço-lhe um preço ainda mais barato”, dizia uma senhora para um freguês.Quando a reportagem de O MIRANTE chegou ao recinto da feira, já centenas de pessoas por ali circulavam. E uma hora antes, segundo confidência de um “observador”, o espaço estava cheio que nem um ovo. As pessoas acorreram em força, quanto mais não fosse por uma questão de curiosidade. Era o caso de João Antunes, que ao fim de duas horas no recinto continuava de mãos a abanar. “Vim cá ver como isto era, não preciso de comprar nada”.António José Cerqueira também visitou o espaço a título de curiosidade mas acabou por comprar um casaco de pele, idêntico ao que andou a namorar numa loja da especialidade. Para o habitante de Torres Novas a feira já valeu a pena – adquiriu a peça que queria por 55 euros, muito menos que os 160 euros que, dias antes, tinha visto na etiqueta da loja.As duas tasquinhas de comes e bebes também não tinham razão de queixa. O negócio das sandes, dos sumos e das cervejas ia de vento em popa, apesar dos produtos não estarem a preços de saldo.A maioria dos visitantes que no sábado acorreu ao certame morava na zona mas também houve gente que aproveitou a feira para sair do bulício da capital e vir espreitar as oportunidades de negócio ao campo.Como José Augusto e a mulher, que preferiram não divulgar o apelido. Alfacinha de gema o casal decidiu visitar o certame depois de ter visto uma alusão à feira na televisão, no dia anterior. “Viemos apenas para almoçar e ao mesmo tempo ver a feira, enfim, sair um pouco da capital”, referiu.O residente em Lisboa tem a convicção de que a feira vale a pena, embora julgasse que fosse um pouco maior, com mais expositores. Mesmo assim, ainda adquiriu dois casacos de pele antes de regressar a casa.Os expositores também não pareciam descontentes com o negócio. Os produtos iam escoando, uns mais rapidamente que outros. No stand da Flor de Algodão, um revendedor de malhas de Santarém, o produto ia saindo, talvez porque apesar de o artigo ser já de há dois anos, continuar ainda na moda.“Temos lá fora um Ford Escort turbo diesel, um automóvel ligeiro de passageiros, volto a repetir um carro a gasóleo. O veículo tem alguns problemas, precisa dos cardans arranjados, tem o painel do lado direito ligeiramente riscado e o canhão da porta direita da frente partido. Quem percebe alguma coisa de carros pode já ir fazendo as contas ao que terá de gastar para resolver a situação. Um automóvel de 1998, com ar condicionado, 134 mil quilómetros e com uma base de licitação de 1850 euros”. No palanque ao fundo, o leiloeiro da ocasião continuava a apregoar os produtos que iam à praça. Sem aparente sucesso.Margarida Cabeleira
Entre pechinchas e material de refugo

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