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A freguesia que nasceu à beira da estrada

Vale de Santarém é a freguesia rural mais urbana do concelho

Atrofiada pelo movimento da Estrada Nacional 3, ao longo da qual foi crescendo, a freguesia do Vale de Santarém quer desenvolver-se harmoniosamente. A manutenção da traça típica das casas é uma das características que salta à vista. Mas a vila quer mais condições para população, como lar de idosos e espaços de lazer.

Edição de 02.03.2005 | O poder local aqui tão perto
As casas térreas caiadas com barras amarelas que se esticam ao longo da Estrada Nacional 3 são a marca dos alicerces do Vale de Santarém, a freguesia rural mais urbana de Santarém. A estrada que a liga à sede de concelho e à cidade do Cartaxo é hoje o maior problema da freguesia com 3.144 habitantes. Os passeios estreitos e os milhares de carros que diariamente atravessam o coração da terra, a maior parte veículos pesados, constituem uma fonte de insegurança. Não há semana que não haja um beirado partido, uma varanda danificada, uma fachada riscada. Já para não falar dos acidentes, que chegam às dezenas por ano. São tempos mais agitados que nos primórdios da freguesia. No tempo em havia o Vale de Cima e o Vale de Baixo. Terras rivais e que hoje estão unidas num único território de 10,1 quilómetros quadrados. O único reboliço que havia, recordam os mais velhos, era quando um morador tentava passar a fronteira territorial demarcada pela fonte da “uma bica”. Havia varapau na certa. Hoje não há guerras, mas o Vale sofre de algum individualismo. Cada rua é uma rua. Cada casa uma casa. Cada qual com os seus problemas próprios. A falta de bairrismo deve-se ao facto de a freguesia ter nascido de uma miscelânea de gentes de várias zonas do país que vinham trabalhar para os campos da zona, sobretudo de Valada, e acabavam por casar e fixar-se no Vale de Santarém. É por isso que uma das maiores ofensas na terra é chamar “caramelo” a alguém. Uma expressão usada para classificar os forasteiros.O Vale de Santarém conseguiu manter a traça típica das suas casas. Na entrada norte há uma urbanização que espelha bem o cuidado que tem havido em evitar a construção de grandes prédios. As vivendas de barras azuis, de primeiro andar, são uma espécie de cartão de visita da terra, elevada a vila há 10 anos. Na zona conhecida por Alto do Vale é que o crescimento acelerado foi inimigo da organização urbanística. As colectividades têm vida efémera. Estão em actividade o rancho folclórico, o grupo de dadores de sangue, dos mais antigos do concelho, o grupo de caçadores e a união columbófila. Há dois anos conseguiu-se reactivar o Atlético Futebol Clube. E há um ano nasceu a Associação de Reformados e Pensionistas, que tem por objectivo a criação de um centro de dia. Uma das grandes necessidades sentidas pela população. A freguesia do Vale de Santarém orgulha-se de ter recolha de lixo diária. Tem farmácia e uma rede de abastecimento de água que abrange todos os lares. O posto de correios está a funcio-nar. Por estar entre duas cidades aproveita a boa rede de transportes públicos. Apesar da bilheteira há muito ter fechado e dos vidros estilhaçados da porta da estação, também é possível apanhar os comboios. Sobretudo para Lisboa, onde trabalha muita gente local. As fábricas de automóveis de Azambuja também recebem muita mão-de-obra. A agricultura é de subsistência. Já lá vai o tempo em que a Estação Zootécnica Nacional dava trabalho a centenas de pessoas. Hoje tem edifícios fechados e uma pálida imagem. Vestígios das fábricas de têxteis dos anos 70 desapareceram com o progresso. Nessa época, a população feminina trabalhava nos teares que abasteciam as grandes casas nacionais e o mercado internacional. A par das casas degradadas que se vão desfazendo para as ruas estreitas, perpendiculares à EN3, há uma vontade de acordar do sono em que a localidade esteve nas últimas décadas. Vale de Santarém tem abastecimento de água a cem por cento. O saneamento básico falta numa pequena faixa. Vale de Santarém é uma terra que quer crescer. Que quer ter infra-estruturas de apoio social para além do jardim-de-infância, como um lar de idosos. Um dos primeiros passos para o desenvolvimento é o arranjo da estrada real que passa na cintura externa da zona urbana e que pode servir de variante à EN3, retirando muito trânsito do interior da vila. Para começar está também uma obra adiada há mais de oito anos. A zona verde deve arrancar neste primeiro semestre e vai dispor de vários equipamentos de lazer. Um parque infantil, zonas desportivas, anfiteatro ao ar livre, bar, entre outras.

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