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Exercício físico em vez de comprimidos

Exercício físico em vez de comprimidos

Projecto Mais Vida vai mexer com a terceira idade em Abrantes

A população menos jovem do concelho de Abrantes vai começar a fazer exercício físico regular para melhorar a mobilidade e ajudar a prevenir ou combater maleitas decorrentes da vida sedentária.

Edição de 02.03.2005 | Sociedade
Caminhadas, ginástica, jogos tradicionais ou hidroginástica adaptada à terceira idade são as propostas do Projecto Mais Vida desenvolvido em parceria pelo Centro de Emprego de Abrantes, município local e instituições particulares de solidariedade social do concelho. No total, a iniciativa abrange cerca de 400 idosos.Na maior parte dos casos o desporto que estes “atletas” fizeram toda a vida foi trabalhar. Começaram com 10 anos no campo, a dar serventia a pedreiros ou noutra qualquer profissão onde ganhassem alguns tostões para ajudar a família. Os homens ainda jogavam futebol no clube da aldeia, mas para as mulheres essas actividades não eram permitidas.O projecto Mais Vida foi apresentado nas instalações do estádio de municipal de Abrantes, na sexta-feira, dia 25, o que só por si valeu a pena. Muitos dos idosos, vindos dos lares e centros de dia de todo o concelho, nunca tinham ido à cidade desportiva de Abrantes. “É muito bonito”, comentava um grupo de idosos do centro de dia de Alferrarede à entrada do estádio. “E ainda nos falta ver as piscinas”, continuavam.Manuel José Duarte de 82 anos, nascido em Rio de Moinhos, nunca tinha sentido sob os pés o piso sintético das pistas de atletismo, nem nunca jogou em campo relvado. Nos seus tempos de rapaz jogava à bola, mas nos terreiros e para passar o tempo.As articulações já não ajudam, os passos tornam-se pesados e nem todos os idosos aguentaram a caminhada de escassas centenas de metros entre o estádio e as piscinas. Maria da Graça Almeida e Idalina Castanho preferiram ficar sentadas em dois banquinhos a apanhar o sol da manhã. Vieram do Centro de Dia da Bemposta. Idalina Castanho conta 90 anos e diz que passou muito na vida. “Comecei com 10 anos a dar aviamento a pedreiros, o pior trabalho que havia, casei duas vezes, a primeira vez com 16 anos e meio...”. A sua amiga Maria da Graça é bastante mais nova, 75 anos, mas as pernas também não ajudam.Eduardo Fernandes, apesar dos seus 84 anos, está bem mais desenvolto. “Ginástica para mexer as pernas ainda não preciso, mexo-me bem, felizmente”, diz demonstrando que, no seu corpo magro, dobra os joelhos sem dor e sem esforço.Algumas das instituições já dispunham de actividades que possibilitam maior mobilidade aos seus utentes e que são do agrado geral. “Dantes tínhamos uma professora, agora temos um professor e bem simpático, parece um dos meus netos”, opina uma das visitantes, vindas de Alferrarede, sempre pronta a participar “no que for bom” para as suas idades.Margarida Trincão
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