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Mulheres ao leme

Mulheres ao leme

Isabel Gonçalves Bué e Ana Barbosa Queirós são aspirantes da Marinha

As mulheres já chegaram aos postos de comando da Marinha e assumem sem problemas o leme de navios de guerra. Isabel e Ana, de Torres Novas, são duas jovens aspirantes a oficiais da armada.

Edição de 02.03.2005 | Sociedade
A aspirante Ana Barbosa Queirós, 22 anos, entra a bordo da fragata Álvares Cabral. Faz continência ao militar de plantão e sobe com destreza os íngremes lanços de escadas do navio até à ponte. É a partir daí que a futura oficial da armada irá manobrar, dentro de alguns meses, o navio de guerra.O serviço de oficial de quarto à ponte já faz parte do trabalho de estágio da aspirante, natural de Torres Novas, que este ano conclui o curso de administração naval.No interior do navio Ana ou Barbosa Queirós, como é tratada na Marinha, partilha o camarote com uma oficial. É lá que tem instalado um computador portátil que lhe permite ir adiantando trabalho a qualquer hora do dia ou da noite.O NRP F331 leva a bordo 200 elementos. Quinze são mulheres. A tripulação já se vai habituando à presença feminina, mas a ascensão das mulheres a este mundo é relativamente recente. Só em 1992 a Marinha Portuguesa abriu as portas da Escola Naval às mulheres, que hoje representam cerca de 20 por cento dos seus militares.Actualmente só o curso de fuzileiros não tem elementos femininos. O capitão de fragata e chefe do gabinete de Relações Públicas, Luís Ramos Borges, explica que essa situação se deve à especificidade e exigência do curso, enquadrado nas forças especiais.Atracada mais à frente, na base do Alfeite, encontra-se a corveta F 476 onde presta serviço a aspirante Isabel Gonçalves Bué, 23 anos, também natural de Torres Novas. O local preferido da futura oficial do curso de marinha é o hangar onde está normalmente o helicóptero que Isabel Bué tem o sonho de vir a pilotar. A primeira mulher já iniciou o curso de pilotagem e a jovem aspirante quer ser uma das senhoras que se seguem.Uma visita à Escola Naval no final do ensino secundário despertou o interesse das duas camaradas para a Marinha. O gosto pelo mar de Ana Queirós e a paixão pelas fardas de Isabel Bué acabou por juntar as velhas amigas de escola na carreira de oficiais.Depois de vários testes médicos, físicos, psicotécnicos e da verificação da aptidão militar naval a bordo do Navio Escola Sagres acabaram por ser escolhidas. Para superar as provas e competir com os candidatos do sexo masculino valeu a força de vontade. “É o mais importante para quem quer ficar cá. Não é difícil, mas é a adaptação a uma vida diferente”, descreve Ana Queirós.Os pais apoiaram e o namorado de Ana Queirós também. Isabel Bué acabou por encontrar a sua cara metade já no interior da Escola Naval. Os amigos comuns das duas aspirantes contactam regularmente com a Marinha nos bailes organizados pela escola em cada final de ano.Em média os elementos da armada estão quatro meses por ano fora da base. As jovens aspirantes sabem o que as espera como oficiais e não encaram a sua condição de mulher como uma limitação. Quando chegar a hora de constituir família e o relógio biológico despertar as aspirantes têm a possibilidade de fazer serviço em terra. Mas por agora a prioridade é a carreira naval.
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