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Um amigo dos animais

António Galinha entregou o casal de cães antes de entrar no lar da Golegã
Edição de 02.03.2005 | Sociedade
Os responsáveis do lar da Santa Casa da Misericórdia da Golegã só conseguiram que António Galinha deixasse a sua casa em Coruche depois do idoso ter garantido que o casal de cães que possuía ficava bem entregue. “Se não conseguisse entregar a Laica e o Fofinho à pessoa certa não vinha para aqui”, referiu ao nosso jornal o homem de 87 anos.Mesmo assim a adaptação a uma nova vida, sem os seus animais, não foi fácil. António Galinha chegou a pedir a um neto que o levasse a Coruche num fim-de-semana, só para ver se os animais estavam bons. “Vi que estavam bem mas saí de lá a chorar, eles olhavam para mim com os olhos tristes e abriam e fechavam a boca, como a querer falar comigo”.A tristeza do “protector dos animais”, como é apelidado pelas funcio-nárias e pelos utentes do lar, só começou a diminuir quando adoptou uma rafeira que rondava diariamente os portões do edifício.António Galinha começou por brincar com a cadela, que “andava muito magrinha e era aleijada de duas patas”, afeiçoando-se mais a ela a cada dia que passava. Uma afeição que virou em obsessão – “à hora das refeições comia só a sopa e guardava o segundo para dar à cadela, embora muitas vezes tivesse vontade de o comer”, refere o idoso.A prática foi descoberta pela directora do lar, que lhe deu permissão para ir à cozinha buscar comida para a cadela, a quem António pôs o nome de Laica para se lembrar da que deixou em Coruche.O idoso ainda hoje se ressente de alguns companheiros da instituição que, por não ligarem a animais, não viam com bons olhos a amizade de António Galinha com a Laica. “Ainda tive de dar uma bofetada a uma”, confessa.Fernando Oliveira, a directora do lar, confirma que não foi fácil levar os outros a entender a relação do idoso com a cadela. Nestas situações é o bom senso que dita as regras. E o bom senso de Fernanda Oliveira fez com que hoje António Galinha tenha a cadela que adoptou no quintal da instituição, embora presa para não incomodar os demais utentes.Ao fim de semana a festa é outra. António Galinha pode passear a cadela livremente e só tem uma proibição – a Laica não pode entrar no edifício. “Mas até isso ela já sabe, agora fica sempre à porta”, diz o idoso, enquanto faz festas à sua Laica e tem o Rabicho, um cãozito cujo dono mora nas redondezas, a saltar-lhe em redor das pernas. “Este é outro, adora estar comigo”, finaliza o protector dos animais do lar da Golegã.

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