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Unidas contra o desemprego

Unidas contra o desemprego

Mulheres de Asseiceira, Rio Maior, criaram cooperativa “Pé Descalço”

A necessidade aguça o engenho e um grupo de mulheres desempregadas não virou a cara à luta nas horas más. Com determinação e dinamismo criaram uma cooperativa de artesanato onde são patroas e empregadas.

Edição de 02.03.2005 | Sociedade
O frio da fábrica de carnes onde Gracinda Constantino trabalhou durante 16 anos, como salchicheira, obrigou-a a abandonar a profissão. Os problemas de saúde originados pelas baixas temperaturas e as horas a fio passadas em pé atiraram-na há três anos para a lista de desempregados, composta maioritariamente por mulheres.Depois de longos meses no fundo de desemprego à espera de um trabalho mais leve, Gracinda Constantino teve a oportunidade de frequentar um curso de bordados na Junta de Freguesia de Asseiceira, concelho de Rio Maior. Hoje, com 59 anos, confecciona casacos e botinhas de malha da colecção de recém-nascido. É uma das trabalhadores da “Pé Descalço”, uma cooperativa de artesanato, artes e ofícios da freguesia formada pelas alunas do curso.A cooperativa, criada no Verão de 2003, ajudou a tirar do desemprego de longa duração muitas mulheres da freguesia. Aproveitaram os conhecimentos do curso e algumas frequentaram ainda uma formação na área de costura.Na mesa de corte dos tecidos da “Pé Descalço” está Inês Cristovão, 25 anos, antiga funcionária de uma fábrica de calçado de Rio Maior que entrou em processo de falência. Foi uma das 200 mulheres a ficar sem trabalho. Depois de seis meses no desemprego passou de acabadora de calçado a bordadeira. Os babetes e vestidos de recém-nascidos também passam pelas suas mãos. A fábrica de malhas onde Carminda Paixão trabalhou durante 25 anos teve o mesmo destino em 1999. Os 46 anos não ajudaram a voltar a encontrar um emprego. O curso de bordados e a criação da cooperativa foram a única oportunidade de regressar ao mercado de trabalho. Desde aí que todos os dias se senta numa das quatro máquinas de costura da cooperativa para fazer os acabamentos dos babetes, fraldas e cueiros de bebé.Ana Cristina Pereira, 32 anos, é quem se encarrega do trabalho de escritório, apesar de dar uma mão quando é preciso bordar uma peça. Aproveita a experiência do seu anterior trabalho num stand de automóveis para ajudar na gestão da cooperativa. O único homem que integra a cooperativa, o presidente da Junta de Freguesia de Asseiceira, Augusto Figueiredo, foi também quem mais as incentivou a criar os seus próprios empregos. Arrancaram com o apoio de um instituto do sector cooperativo que concedeu um empréstimo de 50 mil euros sem juros e com o apoio de duas formadoras que estabeleceram os contactos com os fornecedores dos tecidos. No número 96 da Estrada Nacional 1, em Asseiceira, aceitam-se encomendas de roupa para bebé, confeccionam-se bibes para as creches, mas os produtos mais vendidos são as peças da colecção de recém-nascido. Hoje cada uma das sete trabalhadoras da cooperativa retira do seu trabalho diário o seu sustento.
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