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O prazer da cultura

Eugénia Edviges , escritora e actriz de Benavente

A escritora e actriz de Benavente, Eugénia Edviges é uma apaixonada pela cultura. Da poesia, aos contos infantis, a caminhada parou nos palcos porque representar também dá prazer.

Edição de 09.03.2005 | Cultura e Lazer
Eugénia Edviges, 52 anos, é uma das escritoras e actrizes de referência de Benavente. O gosto pela leitura e pela escrita foi adquirido quando ainda era criança. Lembra-se como se fosse hoje que a sua avó lhe comprava livros para que ela os pudesse ler voz alta ao serão. No seu caso, os papéis inverteram-se. Em vez de ser a avó a ler à neta, era a neta que lia os contos e as estórias encantadas à avó, que era analfabeta. “Devo à minha avó Júlia o gosto que tenho pela leitura e pela escrita”, adianta. Além dos livros, muitos foram também os jornais comprados pelo avô. “ O que mais gostava que eu lê-se eram os títulos das notícias. “Depois, tudo era pretexto para passarmos as noites a falar dos assuntos que marcavam o quotidiano da altura”, refere a poetisa. As muitas leituras parecem ter alicerçado o gosto pela escrita. Começou a escrever poesia quando tinha apenas oito anos de idade. Na altura, eram simples quadras sobre as estações do ano ou sobre o Natal. Hoje, já escreveu mais de uma centena de poemas. Além de assuntos que marcam a sua vida do dia-a-dia, a sua poesia é normalmente pautada por temas repletos de tristeza e solidão. Aliás, é a própria Eugénia Edviges que refere que gosta de escrever poemas quando está “mais em baixo”. Vê habitualmente na escrita um refúgio. A caneta e o papel são a forma que encontra para desabafar. Num dos seus poemas, a certa altura, chega mesmo a referir que “a folha é o bode expiatório”. Como continua a ser muito difícil as editoras apostarem em poetas desconhecidos, Eugénia Edviges tem apenas alguns poemas publicados numa colectânea de poetas populares. No entanto, continua esperançada que as editoras, a quem já entregou os seus trabalhos, acabem por reconhecer a qualidade da sua escrita. Até lá, continua a ver publicados os seus poemas nalguns jornais regionais e a participar em encontros de poesia, pois “o objectivo é manter vivo o que escrevo”, adianta.Os seus poetas de eleição são Sophia de Mello Breyner e Sebastião da Gama. Diz identificar-se muito com eles. Desde há muitos anos que lê estes autores, e não pára de se interessar por aquilo que escreveram. Aliás, desde muito cedo que se interessa por escritores muito avançados para a sua idade. Parece não ter explicação, mas aos 12 anos, Eugénia Edviges já lia Eça de Queirós. Conta que não percebia quase nada do que lia, mas continuava a ler sem parar. “Era quase um vício inexplicável”, refere. Tal como a avó a motivou para o mundo da leitura e da escrita, a poetisa diz que o seu sonho era que os dois filhos lhe seguissem os passos. Mas, parece que só o mais velho, o João Miguel, se interessa pela leitura.Eugénia Edviges é também uma apaixonada pela literatura infantil. Já publicou dois livros. Há dois anos, apresentou ao grande público “As Histórias da Rua do Pinheiro”, cuja edição já esgotou. E, no passado mês de Dezembro, viu publicado “O Pai Natal Existe”. Neste momento, aguarda a resposta da editora para mais dois livros já concluídos. Um de contos infantis e outro de contos para adultos.O seu gosto pela escrita e leitura é tão evidente que não recusa nenhum convite para ir às escolas falar com os alunos sobre a verdadeira importância de se ler. Diz que é um trabalho que quer continuar a fazer junto dos mais novos, até porque “os computadores vieram roubar o espaço que antes era ocupado pelos livros”.O Gosto pelo teatroOs hobbies desta técnica administrativa da Câmara Municipal de Benavente não se ficam pela leitura e escrita. Há dez anos, descobriu também o gosto pelo teatro. E se, inicialmente, só participou em simples sketchs, hoje é uma das actrizes de referência do Grupo de Teatro “SobreTábuas” de Benavente, cujo encenador é o escritor Domingos Lobo. A sua primeira grande participação foi há dois anos. Na altura, Eugénia Edviges foi uma das figuras centrais da peça “O Duelo” de Bernardo Santareno. O ano passado, voltou a destacar-se na peça “Alguém tem de Morrer” de Luís Francisco Rebelo.Não escolhe o papel de má ou de boa, a actriz representa o que lhe pedirem. “Consigo encarnar as personagens, transmitir as emoções e os sentimentos como se tudo se tivesse a passar na realidade”. E o que gosta mais quando está em palco é verificar que o público vive com as suas representações. “É muito gratificante”. Tanto gosta da comédia como do drama. Talvez por isso, os seus actores de referência sejam Ruy de Carvalho e Eunice Munoz.Eugénia Edviges já escreveu algumas peças para teatro. O ano passado, escreveu “A Princesa Que Não Ri”. Tratou-se de uma peça de teatro infantil que foi representada em várias escolas do concelho de Benavente.Perante uma vida tão ocupada, Eugénia Edviges diz que tem contado sempre com o apoio da família, que a tem acompanhado numa missão que quer cumprir até ao fim.Mário Gonçalves

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