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Facundo Manuel Serra D’Aire

Facundo Manuel Serra D’Aire

Edição de 09.03.2005 | E-mails do outro mundo
Deus é grande! Finalmente o nosso eterno deputado Jorge Lacão chegou ao Governo e logo para a pasta de secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. Vai ser unha com carne com o Sócrates, vai assistir às reuniões dos ministros e vai fazer roer as unhas de inveja o seu rival “laranja” Miguel Relvas, que está na mó de baixo.Depois de Relvas ter andado a dizer que Lacão não tinha peso político em Lisboa, aí está a resposta. Vai ter de o aturar quase diariamente na televisão a botar discurso para jornalista e povo decifrar - se alguém o conseguir, porque não é fácil apanhar metade do que o homem diz. Acho que o próprio Aquilino Ribeiro, intelectual de vasto vocabulário, teria dificuldade em manter uma conversa com Jorge Lacão sem recorrer ao dicionário.Além disso, meu caro, este é o sinal que há tanto tempo esperávamos: agora é que o Tejo vai ser navegável, pelo menos até Abrantes. Nem que se tenha de importar água do Amazonas. Já não há desculpas para mais falhanços. Jorge Lacão só vai dormir sem pesos na consciência quando os nossos submarinos puderem aportar na futura base naval de Tancos. Quando o Tejo meter tanta água como a defesa do Sporting. Quando puder apanhar o cacilheiro no Rossio ao Sul do Tejo para se deslocar até ao Terreiro do Paço.Ou quando puder parar em Santarém para dar boleia à sua camarada Idália Moniz que conseguiu um lugar no Parlamento graças à história das quotas femininas. Aliás, temo pelos ossos dos nossos petizes assim que ela fizer aprovar a lei que coloca a tauromaquia como disciplina obrigatória do nosso sistema de ensino. Depois da experiência em Santarém há que deixar o seu cunho no país, nem que seja em nódoas negras. Manel, o Ribatejo está transformado numa gigante cozinha. Não sei se já reparaste, mas não há concelho que não tenha a sua mostra gastronómica. Em Março são as tasquinhas em Rio Maior, os sabores do touro bravo em Coruche, o sável em Barquinha e Vila Franca, a lampreia em Tomar, o magusto em Santarém, a enguia em Salvaterra de Magos e se calhar estou a esquecer-me de alguém. Não há fome que não dê em fartura. São doses cavalares de colesterol capazes de matar uma manada de elefantes num ápice.A excepção a esta pantagruélica vaga é Mação onde o festival da lampreia foi cancelado porque os bichos este ano não conseguiram subir o Tejo devido à seca. Uma situação que, aliás, confere reforçada actualidade aos propósitos de Jorge Lacão. Com o rio navegável, até as lampreias podem nadar livremente rumo às redes, sem serem importunadas pelos bancos de areia. Depois é só engoli-las e pagar couro e cabelo por elas.Por último, Manel, uma palavrinha sobre o Dia Mundial da Mulher. É imperioso acabar com a desigualdade existente. Já nem vou pelo facto de elas terem um dia mundial e nós não termos nenhum. Prefiro falar dos meus amigos que são autenticamente escravizados com tarefas domésticas como lavar a loiça, aspirar a sala, estender a roupa porque as coitadas das esposas, as tais que querem igualdade, estão com enxaqueca, foram novamente ao cabeleireiro ou estão em reunião até às tantas.Desde a pré-história que o homem tem as tarefas nobres a seu cargo, desde a caça à guerra, passando pelo sustento da família, deixando para outras o desempenho de tarefas domésticas de segunda categoria como coser meias ou ver telenovelas. O tal trabalho sujo, mas que alguém tem de fazer. É por isso necessário lutar pela abolição deste tipo de escravatura pós-moderna feita em nome de princípios civilizacionais completamente obtusos e criar o Dia Mundial do Homem com Agá Grande.Cumprimentos machistas do Serafim das Neves
Facundo Manuel Serra D’Aire

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