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Privatização da Companhia das Lezírias será adiada

Privatização da Companhia das Lezírias será adiada

Presidente da República apela à preservação do património de todos os portugueses

O Presidente da República desejou longa vida à Companhia das Lezírias e alertou para os riscos da privatização da maior reserva agrícola e vegetal do país. Os autarcas da região e os trabalhadores aplaudiriam as convicções do presidente.

Edição de 09.03.2005 | Economia
Depois de muita insistência o Presidente da República aceitou falar da privatização da Companhia das Lezírias. Jorge Sampaio desejou mais 180 anos de vida à empresa e revelou os seus receios. O presidente apelou ao bom senso e à preservação da “maior reserva agrícola e vegetal do país”. Foi na quinta-feira, 3 de Março, no final de um almoço com trabalhadores, rendeiros da empresa, autarcas e responsáveis por diversos organismos públicos ligados à problemática da seca, em Braço de Prata, Samora Correia. “Há coisas públicas que deixam de funcionar bem quando são privadas”, disse. A Companhia pode adaptar-se às exigências de hoje sem deixar de ser uma empresa pública”, acrescentou.Os presidentes das câmaras de Benavente e Vila Franca de Xira, que foram duas vozes fortes contra a privatização da empresa, respiraram de alívio. Foi Maria da Luz Rosinha que insistiu junto do Presidente da República para que abordasse o assunto, depois de Jorge Sampaio ter recusado falar da privatização com os jornalistas.O Presidente da República considerou que a Companhia das Lezírias é demasiado valiosa para ser tratada como uma “brincadeira” e defendeu que a sua exploração deve ser feita com equilíbrio ecológico e económico como tem acontecido. Sampaio elogiou os objectivos traçados pela administração que colocou como prioridades defender o património da empresa, abrir a Companhia aos portugueses e conseguir bons resultados financeiros.O presidente do conselho de administração da Companhia das Lezírias, Salter Cid, revelou que em 2004 a empresa atingiu resultados históricos. “ Pela primeira vez, os resultados de exploração foram positivos” disse. O administrador acrescentou que, apesar da seca comprometer as culturas de arroz e a retirada da cortiça (uma das maiores fontes de receita) os resultados de 2005 já estão assegurados e não haverá prejuízos no final do ano.Sobre a privatização, o administrador reafirmou que há outras formas de “privatizar” sem comprometer o património e o futuro da Companhia. Salter Cid sugeriu que a companhia desenvolva parcerias com privados e atribua concessões por períodos de termo certo retirando daí dividendos sem abdicar do património que é de todos os portugueses. “Todos somos accionistas da Companhia das Lezírias”, disse.O presidente do conselho de administração lamentou também a rotatividade dos conselhos de administração ao sabor da cor dos governos e defendeu uma maior estabilidade. Na sala estavam vários antigos presidentes do concelho de administração que foram vítimas da alternância democrática, só um faltou por motivos de doença. Com a chegada da nova maioria socialista ao Governo tudo aponta para que o processo da privatização da Companhia das Lezírias seja mais uma vez adiado. Os socialistas levantaram a sua voz contra a venda da maior empresa agrícola do país e criticaram as opções de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite. Nelson Silva Lopes
Privatização da Companhia das Lezírias será adiada

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