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A morte colheu o campino

António Manuel Caetano morreu aos 54 anos

A morte colheu o campino António Manuel Caetano. O último homenageado do Colete Encarnado faleceu no dia 2, vítima de acidente vascular cerebral.

Edição de 09.03.2005 | Sociedade
Habituado a lidar com os toiros em pontas, António Manuel da Conceição Caetano não conseguiu vencer a morte que o surpreendeu na quarta-feira, 2 de Março, no Hospital de Vila Franca de Xira. O campino da Companhia das Lezírias tinha 54 anos e foi o último homenageado no Colete Encarnado em Julho de 2004. António faleceu cerca das 19h00, devido a um acidente vascular cerebral. A vítima deu entrada no hospital cerca das 4h50 e depois de se ter sentido mal em casa. O corpo foi sepultado na manhã de sexta-feira no cemitério de Vila Franca de Xira.Esta era a sua terra de sempre. Foi aqui que nasceu numa casa modesta da Rua Joaquim Pedro Monteiro, mesmo ao pé da curraleta.António Manuel Caetano fez-se homem no campo depois de ter perdido o pai, Venceslau Henriques Caetano (distinto campino que foi recordado com a entrega do pampilho de honra no último colete encarando), com apenas cinco anos. Foi do pai que herdou o gosto pelo campo e pelo gado.Numa entrevista concedida a O MIRANTE em Julho, contou que fugiu da escola aos 9 anos porque “só andava lá a estorvar os outros que queriam aprender” e o campo chamava por ele. António Manuel, o mais velho de três irmãos, sentiu a obrigação de ajudar a sustentar a família e nunca se arrependeu da vida que escolheu. “É uma vida dura”, dizia. Os seus olhos azuis celestes e a sua boa disposição transmitiam a alegria de um homem que gostava daquilo que fazia.Os fracos conhecimentos adquiridos na escola não inibiram António Caetano de escrever umas cartas amorosas à mulher com quem casou depois de regressar do Ultramar. Maria Leopoldina era a menina dos olhos do campino e soube ser merecedora da sua entrega partilhando com ele os bons e, sobretudo, “muitos maus momentos”. O malogrado campino deixou duas filhas e dois netos de 14 meses e quatro anos que eram os seus “aí Jesus”.António Manuel Caetano deixou muitos amigos e admiradores que se habituaram a vê-lo nas maiores festas da região. Santarém, Vila Franca, Alcochete, Benavente, Salvaterra, Samora, Azambuja e Coruche são terras que conhecem o campino e na sexta-feira, muitos quiseram participar no último adeus. O campino destacava-se pelas suas características físicas e pelo seu ar sempre brincalhão. Os amigos gostavam de o provocar e desafiar a sua vocação de contador de histórias, algumas com mais picante.Na quinta-feira o presidente do conselho de administração da Companhia das Lezírias, Salter Cid evocou o colaborador num almoço com o Presidente da República e todos os funcionários da empresa. Antes os seus colegas dedicaram-lhe uma demonstração de perícia na condução de um jogo de cabrestos. Uma arte de que ele tanto gostava. A Companhia das Lezírias, o Ribatejo e os amigos ficaram mais pobres.Nelson Silva Lopes

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