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Abastecimento de água pode ressentir-se

Abastecimento de água pode ressentir-se

EPAL e câmaras municipais prevêem um Verão complicado devido à seca

Nas maiores cidades da região os efeitos da seca estão a ser encarados com preocupação, já que podem afectar o abastecimento público de água. Ninguém fala em aumentar as tarifas, mas coloca-se já a hipótese de fazer campanhas para poupar água.

Edição de 09.03.2005 | Sociedade
O abastecimento normal de água pode ficar comprometido se ocorrerem exageros nos consumos. A EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres), que fornece dez concelhos do distrito de Santarém e o concelho de Vila Franca de Xira, considera que a falta de chuva ainda não é preocupante, mas não garante que no futuro não apareçam problemas de fornecimento. Algumas autarquias começam a ponderar fazer campanhas a alertar para poupança de água. Segundo o porta-voz da empresa, Joaquim Negrita Fitas, os caudais e as reservas existentes nas captações da região, na albufeira do Castelo de Bode e em Valada do Ribatejo, não indicam que venha a faltar água nos próximos meses. No entanto, o abastecimento está dependente da capacidade de tratamento. Se houver um grande consumo no Verão a capacidade de resposta pode ser afectada. A EPAL, que abastece no distrito os concelhos de Ourém, Alcanena, Abrantes, Santarém, Tomar, Constância, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento, Torres Novas e Cartaxo, alerta para que se evite o enchimento de piscinas a partir dos sistemas públicos. Em Abrantes, a preocupação não vai só para a quantidade, mas também para a qualidade. Segundo o vereador Pina da Costa, uma parte do concelho é abastecido pela barragem dos Negrelinhos, onde a cota tem vindo a baixar. Apesar das reservas darem para três anos, o autarca admite que esse abaixamento possa permitir o aparecimento de algas e microrganismos. Na zona de Bemposta a autarquia está a ponderar fazer uma nova captação para reforçar a actual capacidade de abastecimento. No entanto, os investimentos que vierem a ser feitos e o aumento dos gastos no tratamento da água não vão originar para já um aumento das tarifas cobradas aos consumidores. As outras principais cidades da região (Vila Franca, Tomar, Santarém) admitem também não mexer nos preços por enquanto. O vice-presidente da Câmara de Santarém, Manuel Afonso, teme que a não reposição de água nos aquíferos através da chuva se venha a reflectir de forma mais preocupante nos próximos anos. Por isso admite vir a lançar acções de sensibilização aos consumidores. A ajuda da população já tem vindo a ser pedida em Vila Franca de Xira como forma preventiva. O vereador e presidente da administração dos serviços municipalizados de água, Simões Luís, sublinha que foi pedido às juntas de freguesia para que reguem os espaços verdes de forma racional.Nas localidades mais pequenas, onde se pratica agricultura intensiva, o risco de falta de água é maior. O presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho, diz que nesta altura estão-se a regar os campos como se fosse Verão. Olhando para esse cenário o director geral da Associação de Agricultores do Ribatejo apela a que se poupe água o mais que se puder. Para Eduardo Romeiras é importante gerir bem os recursos porque tudo indica que vá faltar água, não só nos campos como no abastecimento às pessoas. A Barragem do Castelo de Bode, no rio Zêzere, regista neste momento uma cota de 112.5 metros, segundo dados do Instituto Nacional da Água. A partir das medições do mês de Fevereiro, a albufeira está com 73 por cento da capacidade total de armazenamento. Quando no mesmo período de 2004 estava perto dos 90 por cento. Quanto menor for a quantidade de água armazenada na albufeira, mais baixa é a capacidade de produção de energia eléctrica. É por isso que a central termoeléctrica do Pego (Abrantes) está a laborar na capacidade máxima. Neste momento, estão a ser introduzidos na rede eléctrica nacional 628 megawatts por hora, a partir desta central, alimentada a carvão.
Abastecimento de água pode ressentir-se

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