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Companhia das Lezírias não escapa à falta de chuva

Presidente da República alerta em Samora Correia que a água é uma questão nacional
Edição de 09.03.2005 | Sociedade
O Presidente da República escolheu a sede da Companhia das Lezírias (CL), uma empresa do Estado com 20 mil hectares e 3 mil cabeças de gado, para alertar o país para as consequências da seca e para a necessidade de se adoptar uma atitude adulta.“A água é mais importante para estes agricultores que para alguém que habita num 4º andar esquerdo na Avenida da Liberdade, mas, mais tarde ou mais cedo, todos sentiremos as consequências”, disse o Presidente da República na quinta-feira, dia 3.Sampaio visitou os terrenos e algumas estruturas da CL e constatou que a cultura do arroz está ameaçada e a retirada da cortiça também. Com as dificuldades previstas para a produção de cereais, a alimentação dos animais será assegurada pelas reservas guardadas nos celeiros da empresa.Foi a primeira vez que um Presidente da República visitou a empresa e Sampaio aceitou o convite para almoçar com dezenas de trabalhadores e rendeiros da empresa e um conjunto de entidades que sofrem com a falta de água em Portugal.O Chefe de Estado apelou ao próximo governo para que a água seja “uma questão nacional prioritária” e reconheceu que os agricultores portugueses passam por um momento que tem “uma natureza de catástrofe”.Numa reunião na sede da Companhia das Lezírias, em Samora Correia, na manhã de quinta-feira, Jorge Sampaio mostrou-se preocupado com a situação de seca, que tem sido cíclica no país e para a qual gostaria que, de uma vez por todas, se deixasse de improvisar.Satisfeito com o Programa para a Minimização da Seca, preparado em Fevereiro por algumas das personalidades presentes na reunião, o Presidente apelou ao próximo Governo para que esta questão seja prioritária e para que a legislação elaborada ao longo dos últimos anos dê origem a modelos de gestão operacional que “ponham todas as bacias hidrográficas em funcionamento efectivo”.Apesar de em Portugal termos recursos hídricos, não os sabemos é gerir, aproveitar e usar, porque desperdiçamos água, sobretudo nos anos em que a devíamos reservar”, afirmou.O Presidente fez-se acompanhar nesta reunião por Filipe Duarte Santos, docente da Faculdade de Ciências de Lisboa que preside à comissão que tem estudado as alterações climáticas.Filipe Santos sublinhou que esta é uma questão com a qual as próximas gerações terão de conviver, tudo apontando para que a Península Ibérica seja particularmente vulnerável a um aumento da temperatura e a uma diminuição da precipitação. O Presidente da República ouviu as preocupações dos agricultores, mas não se quis pronunciar sobre a eventualidade de declaração de situação de calamidade, afirmando que essa é uma matéria do Governo.“É uma situação muito grave” e “dentro da razoabilidade e das possibilidades não deve haver hesitação e agir sobre algo que está profundamente carenciado neste momento e tem uma natureza de catástrofe”, afirmou, remetendo a definição do regime jurídico a aplicar a esta situação para o Governo.O MIRANTE/Lusa

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