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Culturas ameaçadas pela seca e geadas

Culturas ameaçadas pela seca e geadas

Agricultor José Barroso prevê um ano negro para os produtores com poucos reflexos nos consumidores
Edição de 09.03.2005 | Sociedade
A vinha, o olival e a sementeira de aveia estão a ressentir-se com o tempo frio e sem pinga de água. Na exploração agrícola de José Barroso já se pensa em racionar água para que não falte no Verão. O agricultor já começou a regar a vinha e as oliveiras plantadas, recentemente, para que não sequem. A terra onde há dois meses plantou 16 hectares de vinha está completamente seca. Na exploração agrícola de José Barroso, em Maçussa, Azambuja, a vinha nova está em risco. E os 20 hectares que estão em plena produção vão dar menos vinho e de pior qualidade devido ao tempo frio e seco. Na quinta deste agricultor do Cartaxo, o olival e a aveia também estão comprometidos. Em condições normais a vinha já devia estar a florir, mas ainda nem sequer há sinal de verde nas cepas. Se não chover durante este mês a situação vai complicar-se ainda mais. Mas se cair uma bátega de água na altura em que estejam a nascer os “olhos” que vão dar os cachos, então toda a produção pode ficar destruída.É neste dilema que o agricultor passa os dias, com a geada a causar também preocupações. A aveia que semeou em Outubro devia estar, em condições normais, com uma altura de 70 centímetros e ainda não passou dos 15 centímetros. José Barroso já gastou cerca de 5 mil euros nesta cultura. Já espalhou adubo nos 36 hectares de aveia à espera que caíssem alguns borrifos e assim as plantas se desenvolvessem. Mas cada dia que passa vê os prejuízos cada vez mais próximos. O agricultor estima que, atendendo aos custos, nem vai valer a pena fazer a colheita. Para evitar perder parte das oliveiras que plantou há dez meses, José Barroso já começou a regar os dez hectares de terreno dedicados a esta cultura. Uma situação que vai fazer aumentar os custos de produção que se vão reflectir nos próximos anos. Considerando que os solos estão sem humidade, como se fosse Agosto, José Barroso estima que este ano agrícola vai ser muito mau e nem vale a pena pensar em lucros. Prevendo o pior já fez um plano para racionar água, de modo a que não lhe falte no Verão. A situação que se está a atravessar no sector, diz, vai ter influência sobretudo nos produtores, prevendo que alguns fiquem na falência. “O consumidor não está disponível para pagar mais pelos produtos. Há sempre a possibilidade de se comprar alimentos mais baratos a outros países. Este é o pontapé de saída para muita gente acabar com a sua actividade”, justifica.
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