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Pais acusam câmara de negligência

Seguro escolar não cobre despesas feitas com tratamento de aluno ferido no acidente na escola de Muge

Caso a Câmara de Salvaterra de Magos não assuma a responsabilidade pelas consequências da queda de uma viga no pátio da escola primária de Muge, que feriu três crianças, os pais apresentarão uma queixa-crime contra a autarquia. O seguro escolar não cobre as despesas do tratamento que uma criança tem vindo a efectuar.

Edição de 09.03.2005 | Sociedade
Os pais das crianças vítimas da queda de uma viga no pátio de uma escola primária de Muge, concelho de Salvaterra de Magos, criticam a câmara municipal por esta não se querer responsabilizar pelo acidente, ocorrido no dia 18 de Fevereiro. E admitem apresentar uma queixa-crime contra a autarquia, acusando-a de negligência. Graziela Trindade, mãe de Telmo Mota, uma das crianças feridas, diz que no Hospital de Santarém, onde o filho de 10 anos tem sido tratado, já lhe pediram a apólice do seguro escolar, “mas isso não existe”. Apesar de ter pago o seguro no início do ano lectivo, Gra-ziela Trindade diz que não tem documento nenhum que prove a existência do mesmo. Rita Caneira, responsável pelo agrupamento de escolas de Marinhais, que tutela esse estabelecimento de ensino, confirma que este tipo de seguro não tem apólice. O seguro escolar existente paga as despesas com os medicamentos e a ambulância, no entanto, “se a criança tiver de ser operada ou indemnizada pelos danos sofridos, este seguro não cobre a situação”. A responsável recordou que “as instalações são da responsabilidade da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos”.Telmo Mota, que por enquanto só consegue andar com a ajuda de muletas, ficou com o osso da tíbia rachado, está com vários problemas nos ligamentos e não consegue mexer os dedos do pé esquerdo. Por enquanto, os médicos não conseguem fazer um prognóstico da situação. “Por isso, não está fora de hipótese que o meu filho fique com problemas para o resto da vida”, refere a mãe. Só esta semana é que o Telmo vai saber se terá ou não de ser operado.A mãe de Telmo tem prejudicado a sua vida profissional para poder acompanhar o filho ao hospital e à fisioterapia. Trabalha uns dias, mas tem de estar parada outros. “Quem me vai pagar o prejuízo que tenho tido”? questiona-se.Graziela Trindade garante que a queda da viga na escola poderia ter sido evitada caso a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos tivesse acatado os avisos, feitos pela própria escola, há três meses atrás. “Não há dúvida que a câmara conhecia o perigo, pois no passado mês de Dezembro mandou retirar o telhado, mas deixou ficar as vigas”. Por isso, caso a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos não assuma a responsabilidade do acidente, Graziela diz que não hesitará em mover um processo-crime por negligência contra o município salvaterrense. A mesma opinião tem Paulo Charana, pai de Ana Catarina, outra das vítimas. O encarregado de educação diz não perceber “como é possível a câmara, que tutela aquela escola, não se responsabilizar pelo sucedido”. Apesar de toda esta situação embaraçosa, Graziela Trindade diz que o que lhe tem dado muita força é o apoio dos restantes encarregados de educação e dos bombeiros que socorreram, com grande profissionalismo, o seu filho. E que ainda hoje se preocupam com o estado clínico do Telmo. Uma vez mais, O MIRANTE contactou a presidente de Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Ana Cristina Ribeiro (BE), para um esclarecimento sobre esta situação, mas até ao fecho desta edição não obteve qualquer resposta.Mário Gonçalves

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