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Pode vir aí um Verão escaldante

Vegetação seca e charcas sem água preocupam bombeiros da região
Edição de 09.03.2005 | Sociedade
No início deste ano um incêndio de médias proporções em Alcanede, concelho de Santarém, deixou um aviso às corporações de bombeiros da região. Se o cenário meteorológico se mantiver sem gota de chuva, o Verão pode tornar-se catastrófico. E não há planos nem meios que consigam travar fogos que se prevêem violentos e de propagação rápida. Nos quartéis dos concelhos com grandes manchas florestais reina a preocupação. Neste fogo de Janeiro arderam num ápice dez hectares de mato. Apesar das temperaturas serem baixas, houve alguma dificuldade em dominar as chamas, devido à rápida propagação facilitada pela falta de humidade da vegetação. Para Pedro Carvalho, comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém, a existência de muita vegetação seca é um problema com o qual vai ser difícil de lidar. É por isso que o comandante da Federação de Bombeiros do Distrito de Santarém, António Manuel Jesus, prevê o aparecimento de fogos de grandes proporções, característicos dos meses de Verão, em meados de Abril. Se até lá não chover, o risco vai ser elevado. “Assim que as temperaturas subirem vão começar as complicações”, reforça o operacional que também comanda a corporação de Ferreira do Zêzere.Prevendo um cenário negro no concelho de Azambuja, o comandante da corporação local alerta para as dificuldades em fazer o abastecimento de água. Situação que, acrescenta Pedro Cardoso, vai representar bastantes dificuldades operacionais. “Ou se monta uma estratégia com pés e cabeça ou se as coisas funcionarem à antiga portuguesa, em cima da hora, vamos ter um ano catastrófico”, adverte. O estado em que se encontram algumas charcas está a causar apreensão em Mação, onde no calamitoso ano de 2003 ardeu mais de metade da área florestal do concelho. O comandante dos voluntários da vila, Pedro Jana, admite em caso de incêndio que as viaturas terão que percorrer mais quilómetros para reabastecer de água. É que alguns tanques criados nas zonas florestais apresentam sinais de estarem a secar. Realçando que a manterem-se as actuais condições meteorológicas não há prevenção, planos ou meios que resistam, Pedro Carvalho garante que na zona de Santarém há alguns tanques de abastecimento que têm muito pouca água. E coloca mesmo a hipótese de ter que transportar água dos furos municipais para esses pontos. Previsões que o levam a dizer que “o sentimento geral é de preocupação”. A operacionalidade dos meios aéreos também pode ficar limitada, segundo antevê António Manuel Jesus. Alguns cursos de água estão muito abaixo do seu nível normal, o que torna difícil o enchimento dos baldes dos helicópteros, que assim têm de percorrer maiores distâncias à procura de albufeiras. Os comandantes com quem O MIRANTE falou aconselham as pessoas a tomarem precauções, começando por limpar as zonas à volta das suas habitações. É também importante não fazer queimadas e não lançar cigarros pelas janelas dos automóveis. Porque, como diz o comandante dos municipais de Santarém, “não sei o que vai ser o Verão, mas de certeza vai ser mau”.

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