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Um esgoto chamado Almonda

Um esgoto chamado Almonda

Jornadas do ambiente em Torres Novas denunciam atentados à natureza

O rio Almonda continua transformado em colector dos esgotos de algumas freguesias que banha, devido à inércia do poder autárquico. O problema arrasta-se há anos.

Edição de 09.03.2005 | Sociedade
Bocas de esgoto abrem-se para expelir um líquido fedorento e pardo, que faz com que as águas do Almonda mudem de cor. A pouco e pouco as imundices vão-se diluindo e o rio continua a suportar os dejectos das aldeias. O atentado ambiental começa logo depois da nascente, na freguesia da Zibreira, e foi por aí que a concelhia da CDU de Torres Novas iniciou, no sábado, as “Jornadas do ambiente e qualidade de vida no concelho de Torres Novas”.As freguesias da Zibreira e do Pedrógão são duas das autarquias do concelho de Torres Novas onde o poder político ainda não instalou estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Os esgotos correm livremente para o rio Almonda poluindo-o logo depois da nascente.Na margem, junto ao Casal Feijão, a manilha aberta liberta os esgotos do Almonda, pequena povoação da freguesia da Zibreira. Um pouco à frente, perto da azenha, em Porto Carneiro, um local onde a população gosta de fazer petiscos, nova manilha desta vez para expelir os efluentes domésticos da Zibreira.O projecto inicial era ligar os efluentes desta freguesia à ETAR da Ribeira Branca e Lapas, mas a partir de certa altura – meados do primeiro mandato do actual executivo que ocupa o poder há quase 12 anos - nada mais foi feito. Faltaram os apoios comunitários, criou-se a perspectiva da constituição de empresas intermunicipais que se encarregariam do assunto e os anos foram passando.A Câmara Municipal de Torres Novas acabou por decidir que o saneamento básico do concelho – incluindo a construção das estações de tratamento – seria entregue a uma empresa privada, mas o concurso internacional está para ser lançado há cerca de dois anos.Se em todo o concelho, leia-se povoações rurais, a questão do saneamento e tratamento de efluentes é um problema grave, na Zibreira, porque está na nascente, e na freguesia de Pedrógão as consequências são ainda mais imprevisíveis. A maior parte desta freguesia situa-se numa zona de algares, abertos para uma das maiores reservas de água doce do país. No Pedrógão, o Almonda é poluído através dos ribeiros afluentes da ribeira do Alvorão que, por sua vez, desagua no rio. O curso de água em pior estado é a ribeira das Mouriscas que há muito se transformou numa autêntica vala a céu aberto. Cheira mal, o líquido que corre em toda a extensão é pastoso e nauseabundo. Recebe os esgotos do Pedrógão, onde a rede foi instalada e os ramais ligados aos colectores há mais de 20 anos, e de Adofreire, aldeia da mesma freguesia. Nesta povoação os terrenos nas margens da ribeira das Mouriscas eram terras de horta regadas pelos poços que com o passar dos anos foram ficando inquinados.No meio da povoação da sede da freguesia, junto aos tanques, há quatro bocas poluidoras a escoarem para o curso de água. “Se de Inverno é assim, no Verão é insuportável”, afirma Silvino Rino Rosa (CDU), presidente da junta de freguesia.Em Casais Martanes, uma outra aldeia na mesma autarquia, a situação não é melhor. Aí há fossas sépticas, mas a pouca manutenção faz com que os efluentes corram permanentemente pelas aberturas de protecção “Estou cansado de falar nisto na câmara e nada”, lamenta o autarca. Uma das fossas, em Chã Gomes, situa-se por cima de uma fábrica de mármores que não raras vezes fica com as traseiras do armazém inundadas.Por último em Alqueidão, aldeia onde se realizam provas nacionais de motocross, junto ao Clube dos Motards, os esgotos das máquinas de lavar estão abertos para a via pública e correm pela rua abaixo, passam pelo largo do Lobo Morto e continuam seguindo a inclinação das ruas.No primeiro mandato de António Rodrigues, que continua a ser presidente da câmara, este foi um dos problemas que numa reunião descentralizada em Pedrógão o presidente da junta de então, José Pedro Matos (PSD), apresentou. Mas já passaram três mandatos e tudo continua na mesma. As jornadas do ambiente da CDU vão continuar aos fins-de-semana por todas as freguesias do concelho, estando prevista a apresentação dos resultados desta iniciativa para o próximo mês de Abril.Margarida Trincão
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