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Viaduto está a cair aos bocados

Viaduto está a cair aos bocados

Pedaços de betão abatem-se sobre o ramal ferroviário de Tomar

Há pedaços de betão a caírem de um viaduto sobre o ramal ferroviário de Tomar. Uma situação que já em 1998 a Refer denunciou à Câmara de Tomar, solicitando-lhe que tomasse medidas urgentes.

Edição de 09.03.2005 | Sociedade
Há quase sete anos que a Refer alertou a Câmara de Tomar para a degradação do viaduto do Carrascal, sob o qual passa a linha férrea que liga aquela cidade ao Entroncamento. A situação tem vindo a agravar-se de tal modo que no último ano já caíram para a via blocos de betão com mais de dois quilos. No final do ano passado o presidente da Junta de Freguesia de Paialvo, Custódio Ferreira (CDU) levou para uma sessão da Assembleia Municipal de Tomar um saco de plástico com pedaços de cimento que se tinham desprendido do viaduto.O objectivo foi o de mostrar aos deputados municipais o estado de degradação a que chegou a ponte, situada na estrada municipal 535. Mas nem com os deputados a servirem de testemunhas o executivo camarário fez alguma coisa para minorar o problema.Um ano antes, em Dezembro de 2003, pouco depois de terem caído as primeiras pedras da estrutura da ponte, o presidente da Junta de Paialvo enviou um ofício ao presidente da câmara, António Paiva (PSD) alertando-o. Custódio Ferreira decidiu ainda enviar a prova das suas preocupações – um pedaço de betão com 2,260 quilos - e um aviso: “será óptimo que a câmara verifique bem qual a ponte onde primeiro deve gastar o dinheiro”.O mesmo ofício foi enviado à administração da Refer e do Instituto de Estradas, levando cada um uma foto do pedaço de betão que caiu da ponte. Até à data as duas instituições foram as únicas a responder ao aviso do presidente da junta. A Câmara de Tomar mantém-se muda.A Direcção de Estradas de Santarém, na resposta enviada ao autarca de Paialvo, informa que as obras de reparação competem à câmara de Tomar uma vez que a ponte está integrada numa estrada municipal.Mais preocupante foi a resposta da REFER. Em carta enviada a 30 de Janeiro do ano passado a administração da empresa diz que já em 1998 a ponte do Carrascal registava problemas da mesma natureza das que hoje se verificam. E que a câmara tinha conhecimento delas.“Na sequência de inspecções efectuadas pela Refer à passagem superior ao km 2,607 do Ramal de Tomar, informa-se que é urgente proceder à reabilitação desta obra, dado que as avarias que se verificam põem em causa a segurança da circulação ferroviária, por queda eventual de elementos estruturais”, diz a carta que o presidente da REFER enviou para a Câmara de Tomar, com data de 30 de Janeiro do ano passado.José Braamcamp Sobral refere ainda na missiva que, nas inspecções efectuadas em Junho de 1998, já tinha sido detectada a degradação do betão e armaduras expostas, “avarias que têm vindo a agravar-se desde então, dada a corrosão inevitável da armadura por exposição aos agentes atmosféricos, gerando progressivamente um aumento da degradação da estrutura”.A administração da Rede Ferroviária Nacional solicita ainda que, sendo da responsabilidade do município a manutenção e beneficiação da estrutura, conforme parecer da Procuradoria Geral da República e no disposto no decreto-lei 568/99, a reparação das anomalias verificadas seja feita com a maior brevidade.Mais de um ano depois continua tudo igual. Ou pior. O facto de a ponte estar a ser atravessada diariamente por camiões carregados de toneladas de pedra e betão para a obra de requalificação da Linha do Norte, que passa a menos de um quilómetro do local, já levou a que mais pedaços de betão de grande dimensão se tenham desprendido da estrutura.Questionado por O MIRANTE o presidente do município admitiu que, mais cedo ou mais tarde terá de mandar fazer um estudo técnico para recuperação dos elementos estruturais e revestimento de protecção do viaduto. “Isto é mais complicado do que parece, porque o viaduto passa por cima da linha férrea e a Refer também tem responsabilidades”, diz António Paiva, insinuando que a Rede Ferroviária Nacional deveria pelo menos comparticipar na recuperação da ponte.Face à postura do edil o presidente da junta de Paialvo deixa uma questão no ar: “A câmara assumirá a sua responsabilidade se a ponte vier a cair ou se houver um acidente que cause mortos ou feridos?”.Margarida Cabeleira
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