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Ninguém “quis” marcar

Coruchense e Amiense empataram sem golos num jogo de oportunidades perdidas

Coruchense e Amiense empataram sem golos, num jogo em que qualquer das equipas podia ter marcado por mais de uma vez mas em que ninguém merecia sair derrotado. A equipa de Amiais, que jogou melhor na primeira parte, falhou até uma grande penalidade e viu fugir-lhe a liderança do campeonato. O Coruchense também se pode queixar da sorte, mais concretamente da falta de eficácia dos seus avançados.

Edição de 16.03.2005 | Desporto
O Amiense, que há uma semana chegara ao primeiro lugar da classificação, empatou a zero bolas em Coruche, num jogo em que qualquer das formações dispôs de várias oportunidades para marcar mas em que nenhuma comemorou o golo.A equipa de Amiais de Baixo entrou melhor na partida e foi a primeira dispor de uma boa oportunidade para se adiantar no marcador. Aos sete minutos, Matias desmarcou Pisco, que entrou na área pelo lado esquerdo, tirou um defesa do caminho e rematou colocado. A bola só não entrou na baliza porque Gonçalo Arromba mostrou desde logo que estava em tarde inspirada e efectuou a primeira de uma série de boas defesas.Seis minutos depois, Matias voltou a estar em foco. Com um toque subtil colocou a bola nas costas da defesa do Coruchense, desmarcado Tigas. Arromba voltou a salvar a sua baliza, dando o peito à bola e defendendo in-extremis.Com uma estrutura defensivamente forte e tentando explorar a velocidade dos jogadores das alas, nomeadamente Rubenislson, o Coruchense era quem dispunha mais tempo a bola em seu poder e tentava chegar à baliza adversária.Mas a tarefa era complicada porque o meio campo do Amiense marcava bem. Renato e Catita ocupavam bem os espaços e a defesa não facilitava perante Oliveira e Forca, os homens mais avançados da equipa da casa.À entrada da meia hora de jogo o Amiense dispôs de mais uma oportunidade soberana para marcar. Zé Monteiro derrubou Edgar dentro da área e Ricardo Ribeiro não teve dúvidas em assinalar grande penalidade. Só que os avançados estavam em dia não e Tigas, chamado à conversão, correu lento para a bola, rematou denunciado e permitiu que Arromba adivinhasse o lado para onde ia o esférico e defendesse o pénalti.O intervalo chegava com o nulo no marcador, mas com o Amiense a justificar estar na frente, dadas as oportunidades que dispôs.Na segunda parte, com Carraça no lugar de Vítor Couto, o Coruchense ganhou combatividade no seu sector intermédio e o rumo do jogo alterou-se. A bola passava cada vez mais tempo no meio campo do Amiense e, aos 11 minutos, Oliveira apareceu isolado frente a Rui Galrinho, tinha tempo e espaço para avançar para a baliza mas preferiu tentar o chapéu de fora da área. A “aba” saiu larga e a bola passou por cima da baliza.Aos 26 minutos, Bexiga, que entrara dez minutos antes para substituir Tigas, foi expulso. Num lance a meio campo já com a bola distante, o jogador do Amiense terá agredido Caju. O árbitro não se apercebeu mas o auxiliar Fernando Pereira não teve dúvidas e chamou o chefe de equipa para lhe indicar a agressão.Com mais um jogador em campo, o Coruchense aumentou a pressão e dois minutos depois Rubenilson entrou pela esquerda e fez uma espécie de cruzamento-remate que ia dando golo. Na sequência da jogada e após um ressalto, a bola foi chutada para a baliza mas Galrinho defendeu por instinto.Com alguma dificuldade em fugir às marcações contrárias, a equipa da casa criava perigo sobretudo em lances de bola parada. Oliveira cabeceou por duas vezes à baliza mas em ambas a bola saiu ao lado.A dois minutos dos 90, o avançado do Coruchense voltou a ter os três pontos nos pés mas voltou a falhar. Oliveira apareceu mais uma vez sem marcação ao segundo poste, mas desviou a bola na direcção das mãos de Rui Galrinho. Uma tarde para esquecer para o camisola 11, que tantas vezes já salvou a equipa do Sorraia, mas que este domingo foi uma sombra de si próprio.O fim do jogo chegou com as duas equipas empatadas. Um desfecho certo para um jogo em que o Amiense controlou a primeira parte, em que podia ter marcado por três vezes, mas a que o Coruchense respondeu com outras tantas oportunidades falhadas no segundo tempo. Só foi pena não ter havido golos, pois as duas claques, que compareceram em bom número, mereciam ter festejado o golo, no fundo o que leva as pessoas ao futebol.A equipa de arbitragem, apesar de muito contestada, sobretudo pelos elementos do banco do Coruchense, foi a melhor em campo. Rogério Ribeiro mostrou personalidade e nunca foi em “cantigas”, apesar de alguns elementos dos dois clubes nem sempre terem colaborado, tentando ludibriar o árbitro. Quando a equipa de arbitragem é das três em campo a que menos erra, como foi o caso, ninguém tem moral para a criticar.Treinadores saíram com amargo na bocaNo final do jogo, embora ambos reconhecessem a justiça do empate, os dois treinadores saíram com a boca amarga pela sensação que a sua equipa podia ter conseguido os três pontos.O treinador do Coruchense, Luís Sobrinho, reconhece que na primeira parte o Amiense criou “uma ou duas oportunidades em contra-ataques” e justifica o início menos bom da sua equipa pelo facto de alguns jogadores serem ainda muito jovens. “A minha equipa chegou tarde ao jogo mas quando apareceu entrou bem”, referiu.No entanto o técnico considera que o Coruchense dominou toda a segunda parte onde o Amiense “só fez praticamente anti-jogo”. “Se houvesse um vencedor devíamos ser nós pelo que fizemos na segunda parte e pelo que arriscámos. Tivemos 45 minutos excepcionais e os jogadores estão de parabéns”, acrescentou.Apesar de ter passado o jogo a criticar e a discutir as decisões da equipa de arbitragem, numa postura pouco consentânea com quem tem tantos anos de experiência de futebol, no final da partida Luís Sobrinho deu os parabéns aos árbitros. Não deixou no entanto de lançar mais uma alfinetada. “Houve dois lances em que nos prejudicaram. O Coruchense também merece respeito”, concluiu.Do lado do Amiense, Cláudio Madruga considera que se não fosse a expulsão de Bexiga, o desfecho do jogo poderia ter sido outro. “Se o Bexiga não tem sido expulso, o resultado poderia ter sido outro. Com a expulsão as coisas complicaram-se mas a equipa teve uma boa atitude. Não estou satisfeito porque vínhamos para ganhar, mas não jogámos sozinhos”, começou por afirmar o treinador.Em sua opinião a segunda parte menos conseguida nada teve a ver com a pressão de estar no primeiro lugar. “Temos jogadores muito experientes com três ou quatro jogadores que já subiram de divisão mais de uma vez e estão habituados a estar em primeiro”, reforçou.Cláudio Madruga considera que seria injusto qualquer das equipas sair derrotada e assume que o objectivo do Amiense passa apenas pela subida de divisão. “Somos a equipa com melhores condições para subir de divisão. Temos o melhor plantel, a melhor direcção e boas condições de trabalhão. Não há desculpas para não subirmos de divisão”, disse peremptório.

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