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Benavente assume alto risco sísmico

Benavente assume alto risco sísmico

Coordenador da protecção civil apresentou Plano Especial de Emergência

A terra pode tremer a qualquer momento. Benavente é uma zona de alto risco. O coordenador da protecção civil aposta na organização para minimizar as consequências de um sismo. O plano de emergência serviu de trabalho final ao aluno Miguel Cardia num curso de pós graduação na Universidade Independente.

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
A todo o momento a terra pode tremer. Um sismo é imprevisível, mas um dia pode acontecer. Benavente já sentiu na pele as suas consequências em 1511, 1755 e 1909 (com mais de 30 mortos e centenas de desalojados). A região do Vale do Tejo está entre as de maior vulnerabilidade em Portugal e por isso a preocupação da protecção civil justifica-se.O comandante Miguel Cardia, coordenador do serviço municipal de protecção civil de Benavente, elaborou um Plano Especial de Emergência para Sismos em Benavente. O plano foi apresentado como trabalho final do curso de pós graduação em gestão de protecção civil que realizou durante um ano na Universidade Independente em Lisboa.Um trabalho que o professor coordenador do curso, Ricardo Ribeiro considerou “excelente”. “Isto é o começo de tudo. Há que continuar estas apostas com uma intervenção proactiva”, disse o docente após a apresentação do trabalho que decorreu na sexta-feira, 11 de Março, em Benavente. Entre os convidados estava o engenheiro e investigador Mário Lopes, um dos especialistas mais conceituados na área das construções anti-sísmicas. O plano de emergência de Benavente identifica e avalia as vulnerabilidades, faz um levantamento dos meios existentes, distribui tarefas e responsabiliza os vários agentes da cadeia da protecção civil desde os bombeiros aos especialistas em medicina legal.“Se acontecer um grande sismo no concelho ficaremos com várias ilhas porque as pontes vão cair. É imprescindível a ajuda aérea”, referiu o autor do estudo. Miguel Cardia, um técnico com experiência em várias missões internacionais, recordou que em média a ajuda internacional demora 72 horas a chegar. Até lá há muito que fazer para salvar pessoas e manter viva a cadeia de comando salvamento.Ricardo Ribeiro, especialista em protecção civil e autarca, considerou que Benavente é um bom exemplo de um concelho que privilegia a prevenção mesmo sabendo que “a protecção civil não dá votos”. O professor criticou a política da administração central que transferiu competências para as câmaras sem acompanhar com os respectivos meios financeiros.Uma ideia reforçada pelo presidente da Câmara Municipal de Benavente. António Ganhão deu o exemplo do vazio existente nos quadros das autarquias que não prevê a existência de técnicos de protecção civil. Miguel Cardia teve de ser nomeado secretário do vice-presidente Carlos Coutinho para poder desempenhar as suas funções com algumas garantias. “É um cargo de nomeação que é válido por um mandato. Deveria ser um quadro de carreira com garantias e estímulos”, disse.O edil considerou que o comandante Miguel Cardia é uma mais valia para a protecção civil municipal e nacional e depositou grande esperança no seu trabalho. “A consciencialização dos riscos é fundamental para despertar consciências”, concluiu.O município de Benavente está a preparar um seminário nacional sobre sismos para realizar em Abril por ocasião dos 96 anos do último grande sismo que destruiu uma parte significativa da vila.
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