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Casa mortuária já não vai para a escola

Casa mortuária já não vai para a escola

Câmara Municipal de Torres Novas e Junta de Freguesia de Assentiz voltam atrás

Os pais das crianças que frequentam a escola primária de Moreiras Grandes insurgiram-se contra a ideia da junta de freguesia, que com o apoio da Câmara de Torres Novas pretendia instalar uma casa mortuária numa sala de aulas devoluta. Os políticos recuaram nas suas intenções após os protestos.

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
Não vai haver nenhuma casa mortuária na escola de Moreiras Grandes, freguesia de Assentiz (Torres Novas). A população movimentou-se e o poder político, com o apoio do pároco, recuou nas suas intenções. A sala que se pretendia aproveitar para casa mortuária faz parte do edifício escolar e ficou devoluta o ano passado, quando acabou a telescola. Só que para o ano vai voltar a ser necessária, para leccionar o primeiro ciclo já que do jardim-de-infância vão sair 10 crianças. Mas mesmo que assim não fosse dificilmente os encarregados de educação iriam aceitar que as crianças tivessem aulas, paredes-meias com um espaço onde se velam mortos.“Não estamos contra a construção de uma casa mortuária na aldeia, mas junto à escola não concordamos”, frisa Isabel Bento, representante dos pais dos alunos do primeiro ciclo. A notícia chegou ao conhecimento dos pais através dos jornais. E essa é uma das críticas apresentadas: “Se tivessem falado com a população seria tudo mais fácil”, salienta outro dos encarregados de educação que no domingo falaram com O MIRANTE.José Conde (PSD), presidente da Junta de Assentiz, afirma que houve “boa fé” em todo este processo, mas se a sala vai ser precisa para a escola “não se fala mais nisso e fica tudo como está”. “Não queremos guerras com ninguém, pensámos que era uma forma de resolver uma antiga aspiração da população”, disse a O MIRANTE.Logo que souberam da intenção da junta de freguesia, em conjunto com a comissão da capela e apoiada numa deliberação camarária, os pais tentaram por diversas vezes entrar em contacto com os responsáveis por tal decisão, mas nem sempre foi possível.Na quinta-feira, dia 10, os presidentes da câmara, da junta de freguesia, do agrupamento de escolas e o pároco António Barreleiro acompanhado por alguns habitantes entraram no pátio da escola e os ânimos exaltaram-se. A educadora Conceição Contente foi acusada de “encabeçar” um movimento contra a construção da casa mortuária e de dividir a população. “Foi uma situação muito complicada a que as crianças assistiram, porque eu estava no recreio com elas”, conta Conceição Contente. Sem querer adiantar muitos pormenores, a educadora afirma que foi “insultada”, pelo presidente da câmara. “Invadiram o pátio da escola, não me refiro aos presidentes, mas às outras pessoas que entraram com eles. E é bom esclarecer que não foi o presidente da junta, como chegou a ser dito, que me insultou, mas sim o senhor presidente da câmara”. Conceição Contente, que deu pela primeira vez aulas naquela escola há 20 anos, tem o apoio incondicional dos pais. “Deviam homenageá-la pelo trabalho que tem feito com as nossas crianças, não era insultá-la”, afirmava Rosa Oliveira representante dos pais das crianças do jardim-de-infância, com a concordância dos restantes encarregados de educação presentes. “Foi uma vergonha, ainda por cima nenhuma das pessoas que foi lá reclamar é encarregada de educação nem avó de nenhuma das crianças. Pertencem à comissão da capela, ou lá o que é”, continuava outra das mães, para concluir “é para estas e por outras que cada vez vai menos gente à missa”.A educadora que, segundo diz, ficou psicologicamente abalada, apresentou a demissão dos cargos que exercia no agrupamento de escola, com sede na Escola EB 2/3 Manuel de Figueiredo, em Torres Novas. “Demiti-me do conselho pedagógico e de coordenadora do conselho de docentes, mas vou continuar na escola”.Margarida Trincão
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