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Clínica do Cartaxo envolvida na fraude da ADSE

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
O Centro de Fisioterapia Central do Cartaxo (CFCC) era uma das clínicas usadas por João Aurélio Duarte para burlar o Estado. Segundo contou a O MIRANTE a directora do centro na altura, Maria do Rosário Roda, o médico aproveitava as receitas dos utentes da clínica que descontavam para a ADSE, que falsificava com vista a duplicar ou triplicar os tratamentos. Conforme contou Maria do Rosário Roda, as alegadas falsificações decorriam num escritório que o médico tinha no Cartaxo, perto da câmara municipal, e onde nenhum funcionário tinha permissão para entrar. À excepção de uma secretária pessoal que o acompanhava para todo o lado. “Na altura ninguém percebia porque é que ninguém podia ir ao escritório falar com o dono do centro de fisioterapia. Agora entendemos…”, reforça Maria do Rosário que começou a trabalhar no CFCC um ano depois deste ter aberto, há 21 anos. Segundo explicou a O MIRANTE, uma pessoa que fazia 20 sessões de tratamento, depois de falsificadas as receitas pelo médico, aparecia com 100 ou mais sessões. E normalmente eram escolhidos os tratamentos mais caros da tabela. Presume-se que a ADSE tenha começado a ser lesada pelo médico em 1998, num montante que terá ultrapassado os 4 milhões de euros por reembolso de actos médicos não praticados, segundo revela a Agência Lusa. Os sinais de que algo não estava bem começaram no final de 2002. Na altura, contou Maria do Rosário, o proprietário da clínica confidenciou-lhe que queria afastar-se das empresas que detinha. E que ia deixar o negócio entregue ao filho. Situação que se concretizou em Janeiro de 2003. Dois meses depois as instalações do CFCC são visitadas por elementos da Polícia Judiciária portadores de um mandado de busca emitido pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Nele era dito que o médico, de 55 anos, era acusado de falsificação de documentos. O mandado incluía ainda o nome de Paulo Neves também suspeito no processo. “Foi nessa altura que nos apercebemos que havia algo muito grave. O filho dele, o João Bruno, ficou surpreendido com a situação que o pai lhe tinha deixado nas mãos”, descreve Maria do Rosário, acrescentando que em Dezembro de 2002 João Aurélio Duarte já tinha viajado para o Brasil. No dia 3 de Maio de 2004 são apreendidos os veículos propriedade do médico e das suas empresas, através de um mandado de apreensão. Nesta fase o médico de Santarém já era acusado de crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Depois disso o filho do médico emitiu uma circular dirigida aos funcionários a informar que não havia dinheiro para pagar os ordenados, já que as contas tinham sido congeladas por ordem judicial. Maria do Rosário tem um documento do banco Totta onde comprova o congelamento total das contas no dia 28 de Junho de 2004. A equipa de 14 profissionais do centro esteve a trabalhar até Agosto, sem receber, para que os utentes pudessem terminar os tratamentos. Maria do Rosário Roda acabou recentemente por adquirir o Centro de Fisioterapia Central do Cartaxo ao filho do médico. E prepara-se para abrir a clínica com o nome de CEFICARTE, cujo processo com vista à convenção com o Serviço Nacional de Saúde está em marcha. As empresas do médico estavam centradas na região de Lisboa e realizavam cerca de mil atendimentos por dia, facturando 1,7 milhões de euros por ano.

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