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Dinheiro das pedreiras aplicado na comunidade

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
O conflito envolvendo os baldios da zona da serra do Alecrim - como é designada a área montanhosa que engloba as povoações de Valverde, Murteira, Barreirinhas e Pé da Pedreira – começa a desenhar-se quando a Junta de Freguesia de Alcanede, em 1989, decide colocar os terrenos em seu nome através de escrituras de usucapião.Apesar de ter sido publicitada essa intenção nos jornais, como é obrigatório por lei, na altura não houve grandes protestos. A contestação começa a ganhar formas consistentes com a criação da assembleia de compartes, há cerca de dez anos, representativa das populações dessa zona e que elege o Conselho Directivo dos Baldios de Valverde, Pé da Pedreira, Barreirinhas e Murteira. As verbas pagas pelos empresários que exploram as cerca de 100 pedreiras instaladas em terrenos baldios são apetecíveis e ninguém está disposto a abdicar delas.Os moradores queixam-se que a Junta de Alcanede só pensa na serra para receber o dinheiro das pedreiras, esquecendo-se das populações quando se trata de investir. “Fomos os últimos a ter água e estradas alcatroadas”, diz Dinis Brígido, um dos activistas da Assembleia de Compartes.O presidente da Junta de Alcanede admite que a zona em causa poderá ter sido esquecida nalgumas ocasiões, mas que hoje já não faz sentido falar nesses termos. Mas a verdade é que muitas das obras feitas na Serra do Alecrim – que há anos luta também pela criação de uma freguesia autónoma – têm a chancela da Assembleia de Compartes e do Conselho Directivo dos Baldios.Um exemplo é a transformação em zona de lazer da área envolvente a uma lagoa - “Barreiro”, como é designada pelo povo - em Valverde, onde o gado antigamente ia matar a sede. O espaço está a ser arranjado, o fundo da lagoa cimentado e, daqui a uns tempos, além de uma espécie de piscina informal vai haver ali também um ponto para os helicópteros de combate a incêndios se abastecerem de água. Tudo graças a um protocolo estabelecido com os Bombeiros Voluntários de Alcanede.Outro espaço que pretendem transformar em área de lazer é a dos poços mouros, em Murteira.A entidade que representa as populações serranas tem também em curso um projecto de reflorestação e tem participado na construção e melhoramento de estradas e caminhos. O dinheiro que recebe dos donos das pedreiras que com ela têm contratos serve também para apoiar iniciativas de escolas e jardins-de-infância, do clube de futebol e dos Bombeiros de Alcanede, entre outros.Recentemente foi criado o Centro de Bem Estar Social Serra do Alecrim, que pretende construir um equipamento social com várias valências como creche, centro de dia, videoteca e outros espaços de lazer.

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