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Mal empregada água

Mal empregada água

Bomba funciona mal e ruas e contentores do lixo são lavados com recurso à rede pública

A bomba que tira água do rio Nabão directamente para o quartel dos Bombeiros Municipais de Tomar passa mais tempo desligada que a funcionar. Se não é das cheias é do caudal baixo, se não é da seca é da ligação eléctrica deficitária. Enquanto isso a câmara vai gastando água da rede para lavagens de estradas e camiões do lixo.

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
A Câmara Municipal de Tomar tem vindo a gastar água da rede de abastecimento público para lavar estradas, camiões e contentores do lixo e regar grande parte dos espaços verdes da cidade, apesar de ter uma bomba eléctrica no rio Nabão, ligada directamente ao edifício dos bombeiros municipais através de conduta.Uma bomba que está mais tempo desligada que a funcionar. No ano passado a bomba esteve a funcionar até Junho, altura em que a câmara teve de baixar o caudal do rio para se poder avançar com as obras do programa Polis na zona do pavilhão municipal. Esta é a justificação do presidente do município, que não condiz com a do presidente dos bombeiros. Manuel Mendes afirma que a referida bomba avariou quando aconteceram as últimas chuvadas fortes na cidade, em “Outubro ou Novembro”. “Nessa altura a câmara teve de abrir o açude existente no Flecheiro, a jusante do poço, devido ao facto de ter havido inundações em estabelecimentos na levada e o nível de água baixou levando a que o depósito que liga à bomba deixasse de ter água”. Como a bomba continuou a trabalhar, sem haver água, “acabou por aquecer demasiado e queimou”. Numa coisa ambos estão de acordo. A bomba foi reparada e está pronta a funcionar. O problema agora é o caudal do rio, que devido à seca, vai demasiado baixo. Uma situação, diz António Paiva, que vai ficar resolvida nas próximas semanas, altura em que a câmara irá novamente fechar o açude, fazendo subir o caudal do rio.O facto é que os serviços camarários há meses que andam a gastar água da rede para praticamente todas as actividades que necessitam de água. As ruas da cidade são lavadas com água da rede, os contentores do lixo também. Como há meses que a torneira existente nos bombeiros (e que faz a ligação à conduta de água do rio) está seca, os próprios bombeiros têm utilizado água da rede para o dia a dia e, em alguns casos, também para incêndios.Mesmo quando o rio vai mais cheio, a água debitada pela bomba é de fraca pressão, tão fraca que a corporação acabou por adquirir uma moto bomba de grande débito, que coloca directamente no rio para abastecer as viaturas de combate a incêndios.Todos vão buscar água aos bombeirosExplicações mais ou menos coerentes à parte, o facto é que os serviços camarários vão abastecer-se ao quartel dos bombeiros. Não na torneira que liga ao rio mas na boca de incêndio ligada à rede de abastecimento público. O comandante dos bombeiros não sabe para onde vai a água que pelo menos quatro vezes ao dia é ali tirada para um camião cisterna. Manuel Mendes não se importa que se abasteçam ali, não gosta é de ouvir dizer que os bombeiros gastam anualmente 40 mil euros de água.O vereador do pelouro confirma o valor, mas ressalva que 50 por cento dessa verba não é gasta pela corporação mas por outros serviços camarários. José Mendes reconhece que a utilização da bomba ligada ao rio Nabão teria sempre algum interesse, “quanto mais não fosse para a lavagem da parada”, e diz ter já questionado a quem de direito sobre a reparação da bomba.Relativamente ao facto de as ruas da cidade e os contentores e carros do lixo serem lavados com água da rede, que os serviços de higiene e limpeza vão buscar ao quartel, o vereador diz que a justificação dada por quem é responsável daquele pelouro é que as viaturas que fazem esses serviços não podem levar água do rio por esta ter impurezas e inertas que entupiriam os jactos de água.“Um carro de lavagem custa 200 mil euros, uma aspiradora de rua 75 mil euros. Quem tem equipamentos tão caros não se pode dar ao luxo de fazer com que estes se avariem por utilizarem água turva e cheia de inertes”, afirmou ao nosso jornal Ivo Santos, o ve-reador com o pelouro da higiene e limpeza.Uma posição contrariada pelo presidente da autarquia, que garante que os contentores não têm nada que ser lavados com água da rede pública.Margarida Cabeleira
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