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Nove facadas valeram treze anos e meio de prisão

Nove facadas valeram treze anos e meio de prisão

Brasileiro matou um amigo e feriu outro em Alhandra

Um churrasco brasileiro acabou em tragédia no Dia de Portugal em Alhandra. O jovem que matou um amigo com sete facadas e feriu outro com duas foi condenado a 13 anos e meio de prisão.

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
O homem que matou à facada um amigo e feriu outro no dia 10 de Junho do ano passado, na estrada de A-dos-Loucos em Alhandra, foi condenado a 13 anos e meio de prisão. A tragédia aconteceu após um churrasco brasileiro entre amigos e tudo começou com o pedido de um cigarro.O colectivo do Tribunal de Vila Franca de Xira considerou que Osmar Neto da Silva, brasileiro de 22 anos, agiu “de forma livre, deliberada e consciente”. O jovem serralheiro foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado (punível com pena de 8 a 16 anos de prisão) e a ano e meio por ofensas corporais simples (pena até 3 anos de prisão ou multa). Aplicado o cúmulo jurídico, o colectivo condenou-o a uma pena única de 13 anos e meio.“Espero que esta pena lhe sirva para reflectir e que seja um homem novo quando for devolvido à liberdade”, disse o juiz presidente Moreira da Silva na leitura do acórdão, na terça-feira, 15 de Março, perante a emoção de familiares e amigos da vítima e do arguido.Osmar agrediu com sete facadas o amigo Lourival Rodrigues da Silva, 29 anos, pai de duas menores que viria a falecer. Durante a briga, o arguido deu ainda duas facadas ao irmão da vítima. Márcio Barbosa da Cruz sofreu lesões no peito e tórax e teve de ser assistido no hospital de Vila Franca. Neste caso concreto, o Ministério Público acusou o arguido de homicídio qualificado na forma tentada (com uma moldura penal mais severa que o crime de ofensas corporais simples), mas o colectivo presidido pelo juiz Moreira da Silva considerou que a natureza dos factos não justificou este enquadramento e condenou-o apenas por ofensas corporais simples. O pedido de indemnização cível por danos não patrimoniais (15 mil euros) feito pela ex-companheira da vítima e mãe de uma menina de 7 anos não foi aceite pelo colectivo por não se considerar enquadrado na lei vigente.O juiz presidente reconheceu a necessidade do legislador rever a lei que não admite o pagamento de indemnizações quando as vítimas vivem em união de facto com os requerentes.Um cigarro na origem da tragédia Como o MIRANTE noticiou em Junho, a discussão que originou a tragédia começou com um pedido de um cigarro. A vítima terá reagido mal a um segundo pedido e o arguido resolveu ir comprar um maço de tabaco para ele e outro para dar ao amigo. A entrega foi feita de forma pouco cordial e no calor da discussão a vítima chamou “filho da puta” ao arguido que perdeu a cabeça e envolveu-se numa luta que foi serenada pelos amigos. Osmar Silva foi fechado num quarto e Lourival acabou por se ir embora a conselho dos amigos. A vítima regressou à porta do prédio para pedir as chaves que tinha esquecido e foi o seu azar. Com a porta do quarto fechada à chave, Osmar conseguiu saltar pela varanda do primeiro andar para o quintal e já com uma faca de cozinha com 15 cm de lâmina na mão foi ao encontro da vítima que agrediu com várias facadas. O irmão de Lourival tentou ajudá-lo e acabou também agredido com duas facadas, apesar da intervenção de António Pires que foi em socorro da vítima e imobilizou o agressor. O motorista, que é bombeiro dos Voluntários de Alhandra e morador na rua da tragédia, colocou uma perna sobre o corpo de Osmar e deteve-o. Quando aliviou a perna para tirar o telemóvel para chamar a ambulância, o agressor conseguiu espaço para atingir o irmão da vítima com a primeira facada no peito. Márcio foi socorrido no local e transportado ao Hospital de Vila Franca de Xira enquanto chorava a morte do irmão. Acabou por ter alta dias depois. Nelson Silva Lopes
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