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Vereador confirmou gestos de amizade com as queixosas

António Fidalgo, acusado de coacção sexual, admitiu alguns factos e defendeu-se com teoria da conspiração

António Fidalgo, acusado de coacção sexual, disse não ver qualquer anormalidade no facto das funcionárias lhe consertarem a gravata em público. Refutando os factos de que é acusado, disse ainda que por detrás da queixa podia estar a intenção de derrubar o executivo camarário.

Edição de 16.03.2005 | Sociedade
O ex-vereador da Câmara de Tomar, António Fidalgo, acusado de coacção sexual por quatro funcionárias da autarquia à época suas subordinadas, admitiu que, ao contrário do que era habitual, viajou para França com uma das queixosas no mesmo avião. Confirmou que ficaram instalados no mesmo hotel e no mesmo piso. Mas que a viagem de trabalho processou-se dentro da normalidade. António Fidalgo, que tinha o direito a não se pronunciar sobre os factos, optou por falar na última sessão do julgamento, na segunda-feira, dia 14. E perante a insistência do colectivo de juízes, presidido por Vítor Amaral, acabou por esclarecer que antes da viagem, ao aperceber-se que ia sozinho com a queixosa, numa altura em que alegadamente já decorriam os actos de coacção sexual, falou com ela e com o marido sobre o assunto. A declaração deixou os juízes perplexos, pelo que tentaram sacar mais algumas informações para além das constantes afirmações do arguido de que não sabia porque estava a ser acusado. E Fidalgo deixou escapar que os problemas estão nas vozes do meio em que está inserido (Tomar). Sublinhando até que há “maledicência” por algumas pessoas serem amigas. O ex-vereador admitiu também ter feito viagens de carro com algumas das queixosas e aceitou a possibilidade de alguma delas se ter sentado ao seu colo nos almoços do parque de campismo de Tomar, no ano de 2001. Recorde-se que a testemunha Manuel Jacome disse numa sessão anterior que viu várias vezes as assistentes no processo em disputa para se sentarem nas pernas de António Fidalgo. Antes de enveredar por teorias da conspiração, António Fidalgo admitiu também que as queixosas lhe consertavam a gravata em público. Mas sublinhou que considerava que isso era coisa normal entre pessoas que se davam bem. “Se isso é demais dentro de uma amizade, então meu Deus…”, exclamou. O colectivo aproveitou também para saber se o arguido alguma vez tinha ouvido a expressão “pombinhas do vereador”, nome pelo qual eram conhecidas as quatro funcionárias alegadamente vítimas da coacção. Fidalgo responde: “Não vou dizer que uma vez ou outra uma pessoa amiga não me tenha dito”. Repetindo diversas vezes que a sua consciência não o acusa de nada e que só Deus é que sabe tudo, disse desconfiar qual o motivo por que foi acusado. Mas acabou por dar a entender que ao ser envolvido na situação e ao afirmar-se que os vereadores Ivo Santos e Carlos Carrão e que o presidente da câmara, António Paiva, conheciam os assédios, pretendia-se derrubar o executivo camarário. Apesar dos juízes baterem várias vezes nesta tecla, o ex-vereador foi pouco esclarecedor. Limitou-se a dizer que a queda do executivo era óbvia. O juiz Camilo Alves tentou obter mais alguns esclarecimentos dizendo que é absurdo que quatro funcionárias queiram derrubar o executivo. Perante a interrogação de que poderiam ter sido manipuladas, Fidalgo apenas disse que essa era a sua convicção, mas que não podia “ir mais além”.Dizendo ser uma vítima, António Fidalgo lembrou ao colectivo que tinha apresentado queixa-crime contra as quatro funcionárias por denúncia caluniosa. E não se cansou de dizer que era uma pessoa que sempre pautou a sua vida por uma conduta de ética e moral e que todos os factos de que é acusado são mentira. Na próxima sessão, marcada para 4 de Abril às 16h30, vão ser feitas as alegações finais. Depois será marcada a data para a leitura do acórdão.

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