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Desperdiçar água

Edição de 23.03.2005 | O Mirante dos Leitores
Não é só na aldeia de Sabrosa, Tomar, como vem na última edição de O MIRANTE, que há desleixo relativamente a perdas de água. Há muitas perdas de água em todos os concelhos do distrito de Santarém. Nuns mais que noutros, mas há perdas de água em todos. Por vezes os responsáveis das câmaras ou dos serviços municipalizados nem sequer sabem onde é que essas perdas se registam. Outras vezes sabem mas não ligam ou não são capazes de encontrar soluções. Em Portugal só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja. O ditado é antigo mas diz bem da nossa habitual incúria e do nosso desleixo. Falamos de fogos florestais quando a floresta está a arder. Falamos da importância da água quando não chove. É fatal como o destino. Estou a escrever este e-mail e pela janela vejo a chuva cair. É segunda-feira. Se a situação se mantiver não vale a pena ir arranjar o depósito da aldeia de Sabrosa nem as canalizações estragadas que debitam milhares e milhares de litros de água que não é utilizada.Quando andei a estudar lembro-me que no livro de inglês vinha uma historieta que bem podia ser aplicada aos portugueses. Um fulano entrava em casa de um amigo e reparava que estava a chover na sala. O dono da casa dizia-lhe que não ia arranjar o telhado porque estava a chover. A visita perguntava-lhe porque é que não aproveitava um dia em que não chovesse e ele rematava a conversa lembrando que nessa altura não valia a pena porque não caía água na sala.Mas voltando ao ponto de partida. Há o desleixo das câmaras e serviços municipalizados relativamente ao desperdício de água e há o desleixo dos particulares. Eu deixo a água a correr enquanto lavo os dentes. E não resisto a mais cinco minutos de água quente a correr pelo corpo para além dos minutos já gastos a tomar duche. Às vezes tenho um rebate de consciência e fecho a torneira, outras vezes não me passa pela cabeça fazê-lo. Fala-se em poupança e as pessoas associam-na a dinheiro, mas no caso da água não se trata da conta da água, trata-se de deitar contas à vida. À sobrevivência da terra. Um dia os nossos vindouros vão receber uma factura...de caixão à cova. Literalmente.Regina M. Santos

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