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Faenas de Inverno

Aurélio Lopes
Edição de 23.03.2005 | Opinião
O Inverno seco que vimos suportando era suposto ter reduzido, de alguma forma, a produção regional de dislates, razão de ser das distinções aqui atribuídas, por direito próprio fazendo parte, hoje, da lógica de prestígio da política ribatejana. Contudo, paradoxalmente, água é coisa que não tem faltado! 1 - Comecemos por um “faena desportiva” para Rui Manhoso, presidente da Associação de Futebol de Santarém, em entrevista recente sobre o momento difícil que vive o Futebol Distrital: “existem questões que exigem uma urgente reflexão, tais como a fiscalidade, o policiamento dos jogos, os seguros, as inscrições, o verdadeiro papel do dirigente desportivo, a falta de público e o futuro do futebol jovem”Hum... Só!!!2 – “Faena feminista” para Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, cuja explicação para a conhecida escassez de mulheres na vida autárquica se explica simplesmente pelo facto dos homens “terem tornado a política desinteressante”. Assim, a participação insignificante de mulheres na vida política, resulta, afinal, segundo Rosinha, apenas “da mesma não lhes interessar!”Ora essa, têm todo o direito! 3 – “Faena pragmática” para o Município scalabitano que, seguindo a estratégia radical que Bush tornou célebre e o Vice-Presidente da Câmara de Santarém queria aplicar à “Casa da Portagem”, tem procedido à demolição progressiva da celebérrima “Casa da Joaninha”, no Vale de Santarém.E, assinale-se, nem tem sido preciso gastar aí o dinheiro do erário público. Bastou apenas seguir aquele princípio que diz que “80% dos problemas resolvem-se por si só se os deixarmos a marinar tempo suficiente!”4 - “Faena da coerência” para o presidente da Câmara Municipal da Golegã, que, anunciando recentemente a sua não recandidatura, foi posteriormente obrigado a recuar por um abaixo-assinado, posto a circular nos cafés da Vila. “Era arrogante da minha parte não considerar as centenas de assinaturas que pediram a minha recandidatura”, argumenta a propósito.Portanto, só lhe resta ser humilde como Job e, mesmo com evidente sacrifício, aceitar de novo esse “job”, tão especialmente humilde. Ainda há pessoas boas!5 –“Faena da clarividência” para a Câmara de Santarém que, apadrinhando o espectáculo “Folclore e Amizade”, (englobando este cerca de sessenta grupos folclóricos) teve a ideia brilhante de os recambiar para o CNEMA.Considerando que tal iniciativa coincide com as Festas do Município, e que as mesmas, mais uma vez, passaram ao lado do dito, colocar dezenas de grupos folclóricos todo o dia nos claustros do CNEMA, exibindo-se de si para si, enquanto sem acréscimo substancial de custos poderia (pelo menos uma vez na vida), animar a cidade e as freguesias rurais, só pode ser entendido como uma decisão clarividente.Enfim,... parece que afinal o problema do município não tem a ver, necessariamente, com a quantidade de recursos financeiros, mas sim com a qualidade dos recursos humanos!As Faenas de Inverno prosseguem para a semana.

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