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Instabilidade social é o maior problema

Instabilidade social é o maior problema

Câmara do Entroncamento diz que não há insegurança e promete melhorar as condições dos bairros sociais

O conselho municipal de segurança do Entroncamento reuniu para analisar a alegada insegurança do bairro José Frederico Ulrich, mas acabou por concluir que os problemas se devem a instabilidade social e degradação da zona habitacional.

Edição de 23.03.2005 | Sociedade
A Câmara do Entroncamento compromete-se a alojar as famílias de etnia cigana do concelho em novas habitações sociais e a erradicar as barracas existentes no concelho. Uma maior colaboração com a polícia é outra das medidas que a autarquia vai pôr em marcha para resolver alegados problemas de insegurança no bairro José Frederico Ulrich, que levou a uma reunião de emergência do conselho municipal de segurança, na quinta-feira, dia 17. O presidente da câmara, Jaime Ramos (PSD) disse a O MIRANTE que “não há uma situação de criminalidade preocupante” na zona. O autarca garante que nunca teve conhecimento de casos de violência com feridos, remetendo os problemas do bairro social para dificuldades de integração e convivência entre moradores. Argumentando que o Entroncamento é o segundo concelho do distrito de Santarém com os mais baixos índices de insegurança, o presidente apontou a degradação deste e dos outros bairros sociais da cidade como a situação mais preocupante. Nesse sentido, assegura, a câmara tem um plano para reforçar e remodelar a iluminação pública destas zonas habitacionais. E relembra que estão a ser feitas intervenções em doze habitações sociais. No bairro José Frederico Ulrich alguns moradores concordam com o autarca. José Afonso, que mora há oito anos na zona, diz que “há falta de limpeza e que nem sequer existem passeios”. Acrescenta à lista de problemas as ruas esburacadas e o mau estado a que chegaram as casas. A questão da insegurança nesta zona da cidade começou a ser levantada depois de recentemente algumas pessoas terem afirmado ouvir tiros. Uma situação que Paulo Cortes atribui a desavenças entre pessoas que moram no bairro e elementos que não residem na cidade e são vendedores no mercado semanal. O morador desafia a polícia a fazer uma rusga no bairro para ver se encontra armas. Os moradores de etnia cigana queixam-se de racismo. “Os que não são ciganos não gostam de nós e qualquer problema que exista é sempre atribuído aos ciganos”, sublinha António Viegas, que se encontrava no quintal a jogar às cartas com os amigos e vizinhos. Paulo Cortes confirma que “há pouco tempo houve tiros”, mas desconhece quem terá disparado. Algumas pessoas com quem O MIRANTE falou não quiseram identificar-se com medo de represálias. Mas falam em situações de ameaças e de injúrias. Algumas seriam alegadamente praticadas por um homem que entretanto já saiu do bairro. Os que quiseram falar dizem que os problemas que existem são entre pessoas de etnia cigana. “Eles às vezes desentendem-se uns com os outros, mas nunca se meteram comigo”, sublinha Adriana Alexandre. Moradora há dois anos no bairro acrescenta que há duas semanas assaltaram três casas na zona. Mas duvida que tenham sido ciganos ou residentes no local.O MIRANTE contactou o comando distrital da PSP, mas o oficial de relações públicas, sub-comissário Vítor Catulo, remeteu qualquer declaração para o presidente da câmara. O conselho municipal de segurança é constituído pela autarquia, forças de segurança, associações, entre outras entidades.Recorde-se que o bairro José Frederico Ulrich data de 1952 e foi construído para acolher as famílias mais carenciadas.
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