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Monge acusado de violar rapaz no mosteiro

Monge acusado de violar rapaz no mosteiro

Líder da igreja ortodoxa reforça acusação de abusos sexuais

O monge que abusou sexualmente de uma menina de cinco anos numa quinta religiosa das Cachoeiras terá violado também um rapaz de 11 anos. Essa é a convicção do arcebispo que lidera a igreja ortodoxa em Portugal e de outras testemunhas. O homem de 35 anos responde no Tribunal de Vila Franca de Xira por cinco crimes de abuso sexual.

Edição de 23.03.2005 | Sociedade
O chefe máximo da igreja ortodoxa em Portugal confirmou que a criança de cinco anos abusada sexualmente por um monge num mosteiro de Cachoeiras contou que o rapaz de 11 anos foi violado pelo homem que responde no Tribunal de Vila Franca de Xira pela prática de cinco crimes de abuso sexual de crianças. Uma versão reforçada pelo bispo Paulo (António José Bento) que na audiência de sexta-feira referiu que o rapaz lhe confirmou os abusos.Mário Lopes Ribeiro (arcebispo João e primaz da igreja católica ortodoxa) referiu ao colectivo que a menina lhe disse que o arguido Francisco Valoroso Pereira (Frei Serafim), 35 anos, amarrou o rapaz à cama e sob a ameaça de uma faca ou navalha abusou sexualmente da criança e penetrou-o várias vezes. O líder da igreja acrescentou ainda que as crianças lhe narraram que o homem teria espancado o rapaz e teria ameaçado de que o matava se ele contasse a alguém. O arcebispo referiu ainda que a vítima lhe contou que teria visto o arguido a ter relações com as ovelhas da quinta.Segundo o responsável pela comunidade, o rapaz manteve um silêncio absoluto até ser inquirido pela Polícia Judiciária. A investigação surgiu depois de uma denúncia de suspeita de abuso sexual de uma menina de cinco anos, alegadamente, entre Janeiro e Agosto de 2003. Na primeira sessão do julgamento, o arguido confessou ter abusado sexualmente da criança, mas desmentiu qualquer abuso infringido ao rapaz.Na altura Francisco Pereira disse que o fez para proteger a menina dos abusos que sofria por parte do arcebispo João e outros homens da comunidade que não precisou. O arguido insinuou que o líder da igreja era o pai da menina e acusou ainda o arcebispo de ter abusado de outras monjas, algumas menores. O arcebispo João não foi confrontado com as acusações que lhe foram feitas por não serem matéria deste processo. A juíza presidente Hermínia Oliveira já havia sugerido ao Ministério Público que investigasse a situação. O primaz confirmou que por vezes a menina lhe chama “pai” e mostrou-se disponível para desfazer as dúvidas com a realização de um teste. Enquanto a testemunha falava, o arguido nunca parou de se manifestar com gestos e movimentações corporais que levaram a juíza presidente a interromper a audiência para perguntar se estava bem ou se queria sair da sala. O arguido referiu mais tarde que estava a reagir porque o que estava a ser dito não era verdade.Durante a tarde foram ainda ouvidas duas monjas da comunidade ortodoxa que explicaram como se vivia na quita e dois irmãos do arguido. A irmã de Francisco Pereira referiu que o irmão sempre lhes disse que estava disposto a assumir o que fez, mas queria que fosse feita justiça e que a verdade se esclarecesse até ao fim.Durante a manhã, o colectivo de juizes ouviu o menor, alegadamente, violado pelo monge, mas fê-lo à porta fechada e sem a presença dos jornalistas para proteger a criança. Enquanto decorreu a audiência, a menina correu nos corredores do tribunal e brincou com o bispo Paulo perante o olhar de curiosos que manifestaram à nossa reportagem a sua indignação pela natureza dos factos que constam na acusação e pela falta de medidas preventivas. “Quem nos garante que estas crianças não voltarão a ser abusadas”, comentou uma mulher. O Mosteiro da Transfiguração da Igreja Ortodoxa em Portugal já acolheu dezenas de crianças quando esteve em Paul, no concelho de Mafra. Em 2002, a segurança social retirou as crianças porque viviam em condições “degradantes”. Agora na Quinta da Granja (Cachoeiras) vivem apenas as duas crianças envolvidas neste processo.Na próxima sessão serão feitas as alegações finais e o acórdão com a sentença deverá ser lido ainda durante o mês de Abril.Nelson Silva Lopes
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