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Oitenta incêndios sob investigação

Oitenta incêndios sob investigação

Em dois meses registaram-se 88 fogos na região e foram identificados dez suspeitos

O Inverno seco contribuiu para a ocorrência de um número anormal de incêndios na região nos dois primeiros meses deste ano. Alguns deles resultaram de queimadas descontroladas. Foram identificados dez suspeitos de fogo posto.

Edição de 23.03.2005 | Sociedade
Mais de 80 autos relativos a incêndios ocorridos no distrito de Santarém foram enviados para o Ministério Público, que coordena as investigações. Os casos reportam-se apenas aos dois primeiros meses deste ano e foram registados pela Guarda Nacional Republicana. O número peca por defeito, já que há queimadas ilegais e pequenos focos de incêndio que não chegam ao conhecimento das autoridades. No total, a GNR levantou 88 autos em 18 dos 21 concelhos do distrito, entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro. A zona norte é a mais complicada (ver texto ao lado). No decorrer das diligências os militares só conseguiram identificar dez presumíveis responsáveis pelos fogos. E só em cinco situações se conseguiu provar que se tratava de uma queimada. O que quer dizer que os culpados por extensas áreas ardidas e milhares de euros de prejuízos podem ficar impunes.Tirando dois fogos com causas acidentais em Sardoal, um caso de fogo posto em Salvaterra de Magos e uma fogueira que se descontrolou em Coruche, no resto das ocorrências as causas aparecem como desconhecidas. Isto quer dizer que as autoridades têm dificuldades em saber na altura quem iniciou o fogo e de que forma. Raramente a GNR consegue apanhar o autor do fogo no local ou encontrar testemunhas que levem a um suspeito. A situação é reconhecida pelo comandante da secção de investigação criminal do Grupo Territorial de Santarém da GNR, major Lopes Pereira. O operacional avisa que a guarda tem vindo a intensificar o patrulhamento nas áreas florestais para que a desproporção entre a quantidade de fogos e o número de pessoas apanhadas diminua. Lopes Pereira admite que se não forem as pessoas lesadas ou os bombeiros a informarem sobre as situações, alguns casos de incêndio negligente ou criminoso podem passar à margem da lei. Para o major, o problema está na mentalidade das pessoas que julgam ter o direito de fazer queimadas para limpar os terrenos ou destruir os sobrantes das árvores e arbustos. Mas, recorde-se, estas acções dependem de vários requisitos para que possam ser feitos em segurança. Segundo o Decreto-Lei 156/2004 não é permitida a realização de queimadas durante os períodos críticos em que o risco de incêndio é grande. Tal como acontece actualmente com os matos secos e com a falta de humidade nos terrenos devido à seca. A queima de sobrantes deve ser feita na presença dos bombeiros. Em qualquer dos casos as câmaras municipais têm que emitir um parecer favorável. A opinião do comandante dos Bombeiros Voluntários da Chamusca, onde nos últimos dois meses a GNR detectou 12 incêndios, reflecte o que se passa a nível da região. “As pessoas querem limpar os terrenos, mas não se preocupam em ter os devidos cuidados, nem sequer avisam os bombeiros”, explica Manuel Rufino. O comandante garante que “muitos fazem as coisas às escondidas para que não venham a ser chamados a pagar os prejuízos a terceiros no caso da queimada se descontrolar”. António Palmeiro
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