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Polícia acabou com a dança

Polícia acabou com a dança

Operação apanhou 72 menores de 16 anos em discotecas de Tomar

No último dia de aulas antes das férias da Páscoa a PSP de Tomar montou um esquema para apanhar menores de 16 anos nas discotecas da cidade. A operação Tardes Loucas envolveu mais de 30 agentes e foi acompanhada por O MIRANTE.

Edição de 23.03.2005 | Sociedade
“Ena pá, vem aí a bófia, estou lixado”, diz um miúdo à porta do Rio Bar, desaparecendo de imediato no interior da discoteca de Tomar. O mesmo miúdo que uma hora mais tarde era identificado pelos agentes da Esquadra do Investigação Criminal (EIC), por frequentar o estabelecimento sem ter a idade mínima de acesso - 16 anos.Na sexta-feira à tarde, cerca de três dezenas de agentes da PSP de Tomar deslocaram-se à zona do Flecheiro para realizarem a operação “Tardes Loucas”. O objectivo era identificar todos os menores de 16 anos que frequentavam dois bares dançantes existentes junto ao rio Nabão.Às 18h00 todo o dispositivo da polícia estava montado. Quatro das ruas transversais à Torres Pinheiro foram cortadas ao trânsito – veículos e pessoas – com barreiras, e a fita policial foi colocada no perímetro exterior do Rio Bar e do Lacálha, tendo a fiscalização sido dividida pelos dois bares, dançantes.Em termos logísticos, a operação Tardes Loucas iniciou-se horas antes. Às 17h00 fez-se a última reunião preparatória com todos os agentes envolvidos. Na sala de formação do segundo andar da Secção da PSP de Tomar o projector mostrava a planta pormenorizada do local.Sob o olhar atento do comandante da PSP, o subcomissário Tomás, responsável pela investigação criminal, explicava quem ficava onde, a fazer o quê. Aos agentes da EIC, identificados pelos coletes azuis claros com a inscrição polícia, coube a acção directa junto dos jovens. O objectivo era verificar a idade de todos quantos entrassem ou saíssem dos dois bares dançantes, pelo Bilhete de Identidade ou cartão escolar, e identificar os menores de 16 anos, idade mínima legal para frequentar aquele tipo de estabelecimentos.Faltavam dez minutos para as seis da tarde quando os carros da PSP saíram da rua Dr. Sousa. A carrinha da Brigada de Intervenção Rápida à frente, os veículos das brigadas à civil logo atrás, com o automóvel do comandante policial, onde seguia a reportagem de O MIRANTE, a fechar o cortejo.Na entrada da avenida Cândido Madureira, a primeira contrariedade – a comitiva ficou parada na extensa fila de trânsito que atravessava a cidade. Nada que não se resolvesse com uma simples chamada, via rádio, para os agentes que estavam a controlar o trânsito na rotunda da fonte cibernética - “puxem-nos o trânsito aqui da Cândido Madureira”. Como por milagre, a fila desapareceu em segundos. Nestas ocasiões vale a pena ser polícia...Os agentes chegaram ao Flecheiro sem grande alarido, mas o aparato policial, a colocação das barreiras e da fita, chamou desde logo a atenção de quem estava à porta das discotecas. Como o Francisco, que mal meteu a cabeça de fora, ficou vermelho como um tomate. Lá terá pensado que a coisa ia ficar preta para o seu lado.O Lacálha estava bastante fraco, ao contrário do Rio Bar, apinhado de adolescentes que suados e de copo na mão bamboleavam o corpo ao som de uma batida rítmica repetitiva. O “tum, tum, tum” era bem audível no exterior e as luzes psicadélicas de todas as cores reflectiam-se nos vidros da entrada do bar, guardada pelo segurança.Alguns miúdos tentavam escapar ao funil policial, outros mentiam sobre a idade. “Não tenho aqui o BI”, dizia José, que garantia ter 17 anos. “Nós vamos saber isso com a escola”, avisava um agente, enquanto escrevia no bloco os dados do adolescente.O puto da camisola vermelha estava nervoso. As mãos tremiam-lhe enquanto trincava repetidamente a esferográfica. “Não precisas de ficar assim, tu não vais ter problemas por causa disto. Mas sabes que não podes frequentar ainda estes espaços, não sabes? Ainda tens muito tempo pela frente para gozar, não te preocupes”.O papel dos agentes era muito mais o de sensibilizar que o de punir. A alguns adolescentes, os polícias da Escola Segura sugeriam o teste do balão, numa acção puramente pedagógica. “Só para saberes o que acusa a imperial que bebeste”, dizia o agente para um jovem que soprava com toda a força pelo bocal do equipamento.Ao contrário, a maioria dos curiosos que se foram juntando atrás das barreiras para ver a actuação policial, mostrava-se bem menos condescendente. “Não têm vergonha, com 13 anos e já nesta vida. Vão mas é plantar batatas”, dizia um homem para um grupo de raparigas que passava.Em cima das 19h00 os bares fecharam as portas. E os jovens foram apanhar os autocarros que os levariam a casa, com a certeza de que dificilmente esqueceriam que, em vésperas de férias da Páscoa, foram alvo de uma operação policial. Para eles, a tarde foi mesmo louca...Margarida Cabeleira
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