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Safari fotográfico denuncia atentados urbanísticos

Safari fotográfico denuncia atentados urbanísticos

Movimento Xiradania mostrou pontos negros do concelho de Vila Franca de Xira

Centenas de imagens registadas num safari fotográfico mostram os pontos negros do concelho de Vila Franca de Xira. A iniciativa do Xiradania pretende alertar para os atentados urbanísticos e para o excesso de betão.

Edição de 23.03.2005 | Sociedade
Três minutos depois da partida, a primeira paragem é junto do parque de contentores da Póvoa de Santa Iria, a entrada Sul do concelho. Ao longe o azul do Tejo contrasta com as cores cinzentas e tristes de dezenas de contentores e vários pavilhões amontoados na zona ribeirinha. António Infante, dirigente do movimento cívico Xiradania, aponta para os primeiros “atentados ambientais” de uma imensa lista que faz parte do itinerário proposto na manhã de sábado. “Era uma zona de sapal e marinhais que foi impermiabilizada para receber contentores”, explica o guia da visita. Munidos de máquina fotográfica, mais de três dezenas de munícipes (incluindo eleitos da CDU e do Bloco de Esquerda) participam num safari que regista as imagens dos pontos negros do concelho. O objectivo da iniciativa é alertar para os atentados urbanísticos feitos nos últimos anos e mostrar que a revisão do Plano Director Municipal (PDM) em curso pode agravar a situação. (ver caixa).Na segunda fase da Quinta da Piedade, junto ao quartel dos bombeiros, a comitiva verificou o impacto do “muro da vergonha” e das “muralhas da China” como alguns lhe chamaram. Os prédios de dez pisos nasceram no local onde estava prevista a variante à EN 10 e quando os andares foram estreados já não havia estacionamento. Os espaços verdes ficaram por concluir e no seu lugar há um amontoado de lixo e entulho. “É uma sobreposição dos interesses imobiliários”, explicou António Infante que frisou que o licenciamento foi feito ainda na gestão da CDU.Outro exemplo de cedência ao interesse privado foi apontado em Alverca na Fonte do Choupal. O monumento foi deslocado para se construir a urbanização da Ómnia e hoje a fonte está seca e é mais um elemento decorativo “sem vida e sem história”.No miradouro da serra no bairro da Salvação é possível ver as ocupações ilegais na Várzea de Vialonga. O vereador Alves Machado (CDU), que está acompanhado do deputado municipal Carlos Coutinho (candidato à câmara em Outubro) aproveita para realçar as cedências da maioria que gere o concelho. “A câmara não respeita o seu próprio PDM”, frisa. Os dirigentes comunistas sublinham que estão no safari como munícipes e sem qualquer tentativa de aproveitamento político.Ainda no miradouro, José Capucha do Xiradania aponta para vários armazéns construídos em zona de Reserva Ecológica Nacional (REN). “Apesar de existirem pareceres negativos de um advogado e de um arquitecto da autarquia, a câmara justificou que o promotor estava a ter muitos prejuízos”, explica.As denúncias do Xiradania também contemplaram as linhas de água poluídas e transformadas em depósitos de todo o tipo de entulhos.Na sede do concelho, entre a EN 1 e a estrada municipal que faz a ligação ao jardim municipal, a urbanização Nova Vila Franca prevê a construção de quatro mil fogos. O movimento alerta para o perigo de construir em leito de cheia. A Comissão Coordenadora do Desenvolvimento Regional (CCDR-LVT) e o Instituto da Água também se pronunciaram contra os índices propostos e a ocupação deverá ser reduzida a menos de metade. Ironia do destino, o safari fotográfico decorreu no mesmo dia em que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira inaugurou no Celeiro da Patriarcal uma exposição de fotografia de Luís Fradinho onde o artista mostra “um concelho em desenvolvimento e com estratégia”. São pontos de vista ou ângulos de abordagem. Os do Xiradania serão expostos no site do movimento e nas freguesias da Póvoa de Santa Iria, Alverca e Vila Franca depois de escolhidas as melhores imagens captadas por dirigentes do movimento e munícipes participantes no Safari.Nelson Silva Lopes
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