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Conquistar leitores com filmes e música

Conquistar leitores com filmes e música

A maior parte das bibliotecas da região já disponibiliza produtos multimedia

Os suportes multimedia ajudam a conquistar muitos leitores para as bibliotecas municipais da região. Já não é só o livro em papel que sai das prateleiras. Emprestam-se DVD’s, CD’roms, vídeos e até se requisitam as últimas novidades do mundo da música.

Edição de 30.03.2005 | Cultura e Lazer
Duarte Cunha, 26 anos, entra na video-discoteca da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira e escolhe um CD de música e um DVD. O último trabalho dos “Stone Temple Pilots” e o filme “O dia depois de amanhã” são as opções do jovem estudante de cinema, que quase sempre leva também um livro. Há algum tempo que Duarte Cunha se mantinha afastado da biblioteca, mas o actualizado acervo fê-lo regressar.Muitos dos produtos multimedia que estão à disposição dos utentes na maior parte das 23 bibliotecas da região já ajudaram a conquistar novos leitores para aqueles espaços. “Há cada vez uma integração mais natural dos livros com os filmes e já se consegue criar um perfil de utilizador que lê, vê um filme e consulta a internet”, explica Rita Nunes, a responsável da Biblioteca Municipal de Azambuja, inaugurada em 2003.Tanto em Vila Franca de Xira, como em Azambuja o empréstimo domiciliário de livros e produtos multimedia está equilibrado. O leitor requisita o romance ou o livro de auto-ajuda, com a mesma frequência com que faz o empréstimo de um clássico do cinema. Cada biblioteca faz um selecção cuidada da oferta cinematográfica, sem nunca competir com os clubes de vídeo locais até porque não é esse o objectivo. “Tentamos oferecer um tipo de filmes que não se encontra facilmente, como “Citizen Kane - O mundo a seus pés”, de Orson Wells”, elucida José Barbosa, responsável pela Biblioteca de Ferreira do Zêzere, uma das mais recentes da região, criada em 2004.Aqui a componente tecnológica é mais forte que o tradicional livro impresso e representa 60 por cento da procura. “O conceito de informação hoje já não se limita aos livros. Hoje as bibliotecas são multimedia”, argumenta o bibliotecário.As ofertas inovadoras também atraíram muitos utilizadores à Biblioteca de Alpiarça. O técnico de bibliotecas Rui Gaspar garante que o público do filme de vídeo acaba por ler. “Enquanto esperam pelo filme de vídeo os jovens pegam no livro do Luke & Luke e Asterix e levam para casa. Temos muitos utentes que começaram assim”.Apesar de não existir ainda um grande colecção de Dvd’s e Cd’s para empréstimo, na Biblioteca Municipal do Entroncamento há a preocupação de manter a base actualizada. O Dvd do “Gato Fedorento”, um programa de culto na Sic Radical, é uma das sugestões para o público juvenil.Em Constância são também os suportes tecnológicos que constituem o grande foco de atracção. Apesar disso não se registou um decréscimo da procura dos livros. “Costumo dizer que em Constância as pessoas passaram a ver, a ouvir e a ler muito mais”, garante o bibliotecário Luís Filipe Dias. A tradição do papelEm Abrantes, Alcanena e Rio Maior os produtos multimedia já fazem parte da oferta aos leitores, mas há público que se mantém fiel ao formato em papel. É o caso de investigadores e estudantes que passam horas debruçados sobre as mesas a folhear os tradicionais livros em papel. Na sala de leitura da Biblioteca Braacamp Freire, em Santarém, na tarde de uma quinta-feira, apenas um leitor se entretém com as páginas de um livro. Carlos Marecos, 56 anos, tira alguns apontamentos do diário da República. É frequentar habitual da biblioteca, mas sobretudo para as leituras diárias dos jornais.Lá em cima, no centro da cidade, a sala Bernardo Santareno está repleta de jovens que navegam nas páginas virtuais da internet. O responsável pela Biblioteca Municipal de Santarém, Luís Nazaré, acredita que continua a ler-se. “Lê-se muito. O que se lê não é o mesmo. Lê-se na internet. Manda-se imprimir e utiliza-se o copy paste”, analisa.Em Tomar, apesar da grande oferta multimedia da biblioteca municipal, a frequência às salas dos livros têm registado até algum crescimento. Os espaços reservados à leitura registam uma média diária de ocupação que ronda os 60 por cento, como confirma o vereador da Câmara Municipal de Tomar, Ivo Santos. O mesmo acontece em Vila Nova da Barquinha, onde o espólio em papel continua a merecer mais atenção dos utilizadores.Os bibliotecários da região são unânimes em sublinhar a importância de um espaço que é por excelência de informação e pesquisa. O técnico Rui Gaspar acredita que as bibliotecas terão sempre que existir. “O que muda é o suporte. A informação tanto pode estar no livro como na internet” explica.Ana Santiago
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