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Cerveja feita por computador

Cerveja feita por computador

Fábrica de Santarém da Unicer produz 150 milhões de litros por ano

O cheiro a malte invade-nos as narinas quando passamos o portão que dá para a sala de produção de mosto. Enormes cubas de inox fervem este produto com uma farinha de milho à qual é retirado o óleo. Junta-se o lúpulo que dá o aroma à cerveja. O processo é todo automático e passa-se no Centro de Produção de Santarém da Unicer, visitado na terça-feira à tarde por um grupo de empresários, numa acção da Associação Empresarial da Região de Santarém-Nersant.

Edição de 30.03.2005 | Economia
São precisas seis horas para fazer o mosto que depois corre por grossos tubos cromados num labirinto que os leva à adega. É aqui que é adicionada a levedura e que o liquido vai fermentar. As temperaturas e a quantidade de levedura usada são o segredo da produção de cada marca de cerveja da empresa. A única coisa que o director da fábrica de cerveja de Santarém, Tiago Duarte, revela é que para fazer a cerveja branca os grãos de malte são alourados. No processo de produção da preta estes são torrados. Enormes cubas de 70 e 200 mil litros, suspensas por pilares de cimento, erguem-se por cima da cabeça, são responsáveis pela fermentação durante 20 dias. Não se vê nenhum funcionário. Todo o processo, até as operações de limpeza, são coordenadas a partir de uma sala onde funcionários de bata branca não tiram os olhos dos monitores de computador. Ao todo existem 80 recipientes.Num armazém ao lado situa-se a zona de enchimento. Milhares de garrafas dançam em cima de tapetes num tilintar ensurdecedor. Primeiro são lavadas. Depois passam por uma máquina onde são filmadas por todos os ângulos. Se em alguma forem registadas anomalias esta é rejeitada. Segue-se o enchimento e rotulagem. Ao todo trabalham em simultâneo quatro linhas de enchimento. Vêem-se garrafas a passar para um lado, latas para o outro. Por cima das cabeças, em tapetes metálicos passam grades amarelas apressadas para a zona onde ventosas pegam nas garrafas e as colocam dentro dos recipientes de plástico. Uma das linhas é usada exclusivamente para encher todos os produtos da empresa comercializados em lata, refrigerantes, cervejas… Uma segunda é exclusiva para os barris, que abastecem todo o centro e sul do país. Vinte e um dias depois a cerveja está a sair para os consumidores. Ao longo do processo de fabrico por cada litro foram gastos quatro litros de água. As loiras e pretas correram centenas de metros por tubos e sistemas que não precisam da intervenção humana directa, o que dá garantias de higiene.O Centro de Produção de Santarém da Unicer foi a primeira unidade industrial a instalar-se na cidade em 1975. Hoje está dotado da mais moderna tecnologia que permite a produção de 180 milhões de litros por ano. Actualmente produz 150 milhões. Quando começou a funcionar empregava 311 pessoas e hoje trabalham na fábrica 180. A fábrica de Santarém abastece 30 por cento do mercado nacional de cerveja. Possui duas estações de tratamento de águas residuais que tratam uma quantidade de efluentes, equivalente a uma cidade com 150 mil habitantes. Para além desta, a Unicer possui mais duas fábricas em Leça do Balio (Porto) e Loulé (Algarve). A Unicer deixou de ser exclusivamente cervejeira em 2001, para passar a uma empresa de bebidas. Em 2002 adquiriu a VMPS, que produz a Água das Pedras, entre outras. Actualmente a empresa, que tem 115 anos de história e nasceu na união de pequenos cervejeiros do Porto, está no mercado nos sectores da cerveja, águas, sumos e refrigerantes, vinhos e cafés.
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