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Cavaleiros tauromáquicos vestem-se no Biscainho

Cavaleiros tauromáquicos vestem-se no Biscainho

No ateliê do alfaiate Manuel Fernandes Marques
Edição de 30.03.2005 | O poder local aqui tão perto
É numa pequena loja, dissimulada, junto à estrada municipal 515, no Biscainho, que alguns cavaleiros tauromáquicos do país mandam fazer as suas casacas, coletes e tricórnios. A alfaiataria de Manuel Fernandes Marques já tem meio século de existência. A alfaiataria de Manuel Fernandes Marques é uma das casas de referência no país para a confecção das vestimentas dos cavaleiros tauromáquicos. Pela loja do Biscainho, concelho de Coruche, já passaram e continuam a passar os grandes da festa taurina. João Moura, Paulo Caetano, António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Luís Rouxinol e as senhoras Sónia Matias e Ana Batista, são alguns dos muitos exemplos.A “culpa” é de Manuel Fernandes Marques que, aos 71 anos, continua a todo o vapor na confecção dos trajes para os cavaleiros, com a ajuda da esposa, Maria Margarida. Com 18 anos prometeu à Senhora do Castelo (padroeira de Coruche) que se encontrasse alguém que lhe ensinasse a arte tradicional da alfaiataria andava um ano com uma gravata preta. Iniciou-se então nos trabalhos e cumpriu a promessa.Começou por fazer calças, coletes e afins mas, numa terra de tradição taurina, a transição era inevitável. Foi a Lisboa à academia das artes taurinas ver como se faziam os cortes e bordados, para aprender, e tomou-lhe o gosto. Actualmente é a referência nacional na arte de bem vestir os cavaleiros tauromáquicos. A fama e o proveito já lhe valeram mais de 15 idas à televisão para falar do que sabe fazer melhor. A primeira casaca que fez foi para João Telles, já lá vão 30 anos. Também serviu os “jovens” Paulo Caetano e João Moura, além de referências do passado como João Núncio e António Luís Lopes (Coruche).Até uma portuguesa que foi eleita miss num concurso na Austrália lhe encomendou uma casaca verde há alguns anos. “E que belas pernas ela tinha”, diz com ar malandro Manuel Marques apontando para a foto que repousa numa vitrina cheia de recordações.Os tecidos são importados de França, Inglaterra e Japão. Cetins e sedas especiais a preços proibitivos. Só o cetim para uma casaca pode custar cerca de 300 euros. Casaca, colete, calção e tricórnio são as peças de vestimenta do cavaleiro. Um conjunto pode ficar em 2.500 euros. “Os materiais são caros e são dispendidas muitas horas, entre 150 e 200 horas para um conjunto. São duas ou três semanas de trabalho”, refere Manuel Marques.Os desenhos, bordados a ouro, prata, missangas ou lantejoulas são os tradicionais, com motivos florais, mas também surgem novas tendências como os desenhos geométricos mais típicos de Espanha. As cores mais pedidas são o azul, vermelho e verde, mas também fabrica casacas brancas e cremes. Para toureiros não trabalha mas de vez em quando faz roupa para grupos de forcados.
Cavaleiros tauromáquicos vestem-se no Biscainho

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