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Forcados de Vila Franca rejeitam monumento

Forcados de Vila Franca rejeitam monumento

Manuel Patinha apresentou uma escultura ousada

Os forcados de Vila Franca de Xira não gostam da escultura escolhida para homenagear os homens que pegam os toiros. A peça de Manuel Patinha é demasiado moderna e ousada e o grupo teme que seja polémica.

Edição de 30.03.2005 | Sociedade
O Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira não aprovou o projecto do escultor Manuel Patinha para a construção do monumento a erigir pela câmara no espaço entre a praça de toiros e o parque urbano do Cevadeiro.A peça foi a escolhida pela maioria dos elementos do júri que analisou seis propostas apresentadas por outros tantos escultores convidados pela autarquia. O MIRANTE apurou que os homens da jaqueta manifestaram o seu descontentamento à autarquia e que a câmara está receptiva a procurar uma solução conjunta.A presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha defende que o monumento tem de ser do agrado dos homenageados.Contactado pela nossa reportagem, Vasco Dotti, cabo do grupo de Vila Franca de Xira, recusou fazer qualquer comentário antes de uma reunião com a câmara. “Não quero ser mal interpretado”, disse. O encontro está agendado para quarta-feira, 6 de Abril. Fonte da câmara garantiu que a autarquia está aberta às sugestões do grupo, mas considerou que uma recusa da peça proposta pelo escultor Manuel Patinha pode trazer algumas dificuldades.Um júri conceituadoPara além do escultor escolhido concorreram os artistas Luís Cruz, José Rodrigues, Rui Fernandes, Abílio Febra e João Duarte. O valor máximo previsto no regulamento para a execução da peça é de 30 mil euros. O júri foi formado pela presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha, Américo Silva da associação dos artistas plásticos do concelho de Vila Franca, Eurico Gonçalves, professor, pintor e crítico de arte, José António Flores da Sociedade de Belas Artes, Vasco Dotti do grupo de forcados e Ricardo Belchior antigo forcado e representante da associação dos forcados. O grupo de forcados sempre disse que queria ter uma participação activa no processo. Apesar de respeitar a decisão da maioria do júri, que escolheu uma escultura mais moderna e ousada, os forcados não querem que surja na cidade um movimento contra a obra, como aconteceu recentemente com a estátua que homenageia Alves Redol. O MIRANTE sabe que os representantes dos forcados gostaram de uma peça mais tradicional que consideraram ser mais fácil de gerar um consenso entre os vilafranquenses. A ideia de construir um monumento ao forcado é um sonho antigo que ganhou mais corpo após a morte de um forcado do grupo. Ricardo Silva “Pitó” morreu nos cornos de um toiro numa corrida em Arruda dos Vinhos em Agosto de 2002. A 17 de Outubro do mesmo ano foi feito um festival de homenagem na praça de toiros Palha Blanco e o monumento ao forcado voltou a ser falado. A iniciativa rendeu cerca de 30 mil euros que a Associação Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca destinou para a construção de um mausoléu ao malogrado forcado. O MIRANTE apurou que o projecto está a ser feito gratuitamente por um amigo do grupo e o monumento deverá ser erigido no próximo ano num local que ainda não foi anunciado.O Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira completa 75 anos em 2007 e para assinalar as bodas de diamante, a associação está a preparar uma recolha de matéria para editar um livro com centenas de estórias que fizeram a história de um dos mais emblemáticos grupos do país. Nelson Silva Lopes
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