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Negligência dos adultos é problemática

Protecção de menores de Santarém quer intervir nas famílias para ajudar crianças
Edição de 30.03.2005 | Sociedade
O presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Santarém defende o reforço da intervenção junto das famílias para alterar o quadro de negligência comum à maioria das quase 500 crianças e jovens que acompanha.Num balanço da actividade da CPCJ no ano passado, Eliseu Raimundo realçou a manutenção do número de casos acompanhados (489) em relação a 2003, e do tipo de problemáticas, sobretudo a negligência e o abandono escolar, para pedir maior capacidade de intervenção junto das famílias e evitar “um prolongamento da situação”.Sublinhando que em 2004 a CPCJ abriu menos novos processos que no ano anterior, Eliseu Raimundo destacou que, contudo, o número de processos reabertos mais que duplicou (de 35 para 77) e as situações de mães jovens continuam a aumentar.“Todos dizem que é muito importante acompanhar as famílias, mas na prática isso é dificultado. A própria lei de protecção não está regulamentada, o que limita a acção de todos os intervenientes no terreno”, disse.De acordo com os dados relativos a 2004, a violência doméstica marca a história de muitas das famílias das crianças e jovens acompanhados pela CPCJ de Santarém, em grande parte provenientes de famílias nucleares (34,6 por cento) ou monoparentais femininas (23 por cento), filhos de pais com baixa escolaridade (49 por cento com o primeiro ciclo e 13 por cento sem qualquer grau de escolaridade) que sobrevivem de trabalhos pouco qualificados e mal remunerados.A maioria dos processos são de adolescentes e pré- adolescentes (45 por cento dos dez aos 17 anos) que revelam baixo sucesso escolar (29 por cento com o primeiro ciclo, 19por cento com o segundo e 23 por cento sem qualquer grau de escolaridade).Para Eliseu Raimundo, a comparação dos níveis escolares dos pais com os dos jovens permite concluir, “eventualmente, que estamos perante um fenómeno de reprodução geracional potenciador de desigualdades sociais e de exclusão, relativamente ao qual urge intervir”.Os casos de negligência (onde se incluem situações como a prostituição infantil e juvenil) aumentaram em relação a 2003 (de 43 para 44,5 por cento), mantendo-se níveis elevados de abandono escolar (13,5 por cento).A freguesia que continua a registar maior número de casos é Marvila, a mais populosa da cidade, (de 108 para 127), tendo-se registado um aumento significativo em Pernes (de sete para 13), o que poderá ter a ver com a mudança de algumas famílias para aquela zona, disse.A Comissão mantém a média de 15 a 18 novos casos por mês (alguns respeitam a reaberturas), uma situação que Eliseu Raimundo acredita dever-se à falta de investimento no trabalho directo com as famílias a par do acompanhamento psicológico das crianças.“Os casos de sucesso são muito raros porque não há o trabalho de base com as famílias”, afirmou, destacando o trabalho que está a ser feito ao nível do programa Anijovem, que a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém tem em desenvolvimento desde Setembro, virado para os jovens dos 12 aos 18 anos com um historial de abandono escolar e que tem intervido igualmente junto das famílias.Lusa

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