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Deco de Santarém vai apresentar queixa contra empresa
Edição de 30.03.2005 | Sociedade
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) vai apresentar uma queixa em tribunal contra a Lar-up, uma empresa que vende baixelas e que regista um número recorde reclamações feitas por clientes. Na delegação de Santarém da associação os casos desta empresa representam 17 por cento do total de processos e há situações de pessoas que se sentem enganadas.Vendem colchões, baixelas, serviços em porcelana, cartões de férias e purificadores de ar, com a promessa de atribuição de prémios e grandes facilidades de pagamento. Mas uma boa parte dos clientes acaba por mostrar-se arrependido da compra efectuada, com as carteiras aliviadas em alguns milhares de euros.O convite é quase sempre feito pelo telefone e destinado a casais com mais de 20 anos de casamento. Mas a informação também chega através de anúncios nos jornais e de mailings nas caixas de correio.Foi o que aconteceu com Adelina Oliveira, de Alpiarça. O telefone tocou a 15 de Maio de 2004 para ir levantar um ferro de engomar e uma varinha mágica. Só tinha que se deslocar com o marido a um restaurante de Almeirim.Apareceu na reunião às 18 horas e só saiu de lá às 22 horas, depois de ter visto queijos, vinhos, porcelanas e ter respondido a um inquérito, acabando por regressar a casa com um serviço de chá e café no valor de quase quatro mil euros. Assinou um contrato do qual não conheceu as condições nem recebeu cópia e, apesar da promessa de começar a pagar o serviço em Março de 2005, 67 euros começaram a ser debitados da sua conta no mês seguinte e num crédito de cinco anos.“Passa-se tudo num ambiente calmo, onde estão outros casais e a funcionária é muito convincente. Na entrada estão dois porteiros que nos encaminham quando chegamos”, recorda Adelina Oliveira. Um dia depois o marido quis cancelar o negócio e mesmo com a concordância verbal da funcionária, nada mudou. Um caso semelhante viveu Valdemar Vicente, de Casal da Charneca, Santarém, que em Maio do ano passado esteve numa “maratona” de cinco horas e meia a ser convencido da qualidade de um serviço de porcelana. “O ambiente que se vive é sereno e pesado ao mesmo tempo e paira no ar uma espécie de fumo apesar de ninguém estar a fumar”, recorda.Acabou por comprar um serviço de cerca de 3.500 euros que só começou a pagar em Fevereiro último como estava combinado, porque mandou cancelar as transferência bancárias mensais de quase 60 euros debitadas logo a seguir a ter assinado contrato. “No meu caso a funcionária até nos acompanhou a casa para entrega do serviço no meu carro, para tentar que não houvesse algum arrependimento”, lamenta-se.Adelina Oliveira e Valdemar Vicente passam por algumas dificuldades económicas e recorreram à delegação de Santarém da DECO para mediar o problema, mas a Lar-up não se mostra disponível para aceitar renegociações ou admitir erros.Santarém tem o maior número de casos Os processos relacionados com as vendas agressivas estão a crescer bastante. Só em 2004, dos 1224 atendimentos realizados pela Delegação de Santarém da Deco, 188 referiam-se àquela forma de negócio. Dos quais 103 deram origem a processos, o que representa 15 por cento do total.A tendência está a acentuar-se em 2005 onde, até final de Fevereiro, houve 30 casos de um total de 216 atendimentos, que deram origem a 20 processos.De acordo com a jurista da Deco em Santarém, a Lar-up é o expoente máximo das vendas agressivas na região, sendo também esta a zona do país mais fustigada por aquela forma de fazer negócio. Eleonora Cardoso refere que as pessoas são levadas a assinar contratos sem que exista uma cópia ou verso do contrato, alertando-as para não assinarem nada.“Depois as pessoas também desconhecem que têm 14 dias para reclamar e denunciar o negócio através de carta com aviso de recepção e acabam por ter encargos elevados. No caso da Lar-up nem sequer reconhecem os erros e justificam que as pessoas assinaram os contratos livremente”, explica a jurista. A Lar-up, Envirotect, Dream-up, Arte do Passado, Clsslar/Biocasa, Rainbow, Wellmaster, Keyclub, Midas Pretsige, Intertravel e Paviduti/Markcenter são, segundo a Deco, as empresas mais reclamadas e lesivas dos direitos dos consumidores.O MIRANTE contactou via a fax a Lar-up tentando obter vários esclarecimentos sobre as queixas de clientes, mas não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição.

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