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Vila Franca quer enterrar via férrea

Vila Franca quer enterrar via férrea

Moção defende TGV longe das casas

Os autarcas de Vila Franca de Xira insistem na proposta de enterramento da linha férrea no troço que atravessa a cidade. Uma moção da câmara exige também o afastamento da linha do TGV dos núcleos urbanos.

Edição de 30.03.2005 | Sociedade
Os eleitos do município de Vila Franca de Xira querem afastar a linha do comboio de alta velocidade (TGV) das casas e insistem na defesa do enterramento do troço da via ferroviária que atravessa a cidade da sede do concelho. A Câmara de Vila Franca de Xira aprovou uma moção onde exige ser ouvida no processo de escolha da melhor solução e recusa aceitar “qualquer facto consumado”.Na missiva proposta pelo vereador do PSD, Rui Rei e aprovada por unanimidade, a autarquia defende que a quadruplicação da Linha do Norte entre Alhandra e Vila Franca deve ser considerada de prioridade máxima.“O TGV não poderá passar pelo interior de Vila Franca. Tem que passar longe”, referiu o autarca social-democrata. Já em relação à intervenção na linha do Norte, Rui Rei defende que os comboios regionais e sub-regionais não podem ficar demasiado longe das pessoas.Alves Machado (CDU) vincou a importância de preservar os acessos à zona ribeirinha do concelho. O autarca comunista disse temer reflexos negativos da passagem do comboio de alta velocidade no concelho e lembrou que o TGV não vai parar nas estações do município. “Não tem mais-valias para a população do concelho e constitui mais uma servidão, a juntar às muitas que o concelho já tem”, disse.A empresa que está a fazer estudos para o traçado do TGV nesta área, a Consulgal, previu inicialmente um corredor de reserva de 500 metros de largura que atravessaria toda a parte ocidental do concelho que inclui as freguesias de Vialonga, Calhandriz, São João dos Montes e Vialonga. Esta última foi a que reagiu de imediato com várias reuniões e protestos dos munícipes que vivem nas zonas onde estava prevista a passagem do corredor.A câmara rejeitou esta solução que a presidente considerou “absurda” porque afectaria núcleos urbanos e áreas de reserva agrícola e ecológica. No momento seguinte, o anterior ministro das Obras Públicas, António Mexia avançou com uma alternativa que previa a passagem do TGV pela actual Linha do Norte entre Lisboa e o Carregado. Uma proposta que a câmara também recusou. A autarquia opõe-se à passagem do TGV pelo interior dos núcleos urbanos de Vila Franca, Alhandra, Alverca e Póvoa de Santa Iria.“A Refer já reconheceu que não tem condições para tomar uma decisão sobre a travessia ferroviária de Vila Franca, dados os elevados custos financeiros das opções estudadas e anunciou que vai ser estudado um novo percurso para o TGV, a poente do anterior”, disse a presidente de câmara.Quanto à quadriplicação da linha do Norte, o processo vive numa situação de impasse há mais de dez anos na ligação entre Alhandra e Vila Franca. O corredor disponível não permite o alargamento da via. A empresa que gere a rede ferroviária (Refer) tem considerado Vila Franca como um local de difíceis soluções.A presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha (PS) referiu que defender intransigentemente o rebaixamento da via não lhe parece uma posição lúcida. “Defendo a melhor solução possível, que não passe pelo alargamento no actual traçado”, referiu.A autarca realçou que a quadruplicação da Linha do Norte e a futura linha do TGV são situações que não devem ser misturadas e que a solução só será conjunta “por razões de ordem económica”.Nelson Silva Lopes
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