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Duas espanholas “muy bien” adaptadas

A enfermeira Marisol Rodriguez e a médica Ana Pidal
Edição de 16.08.2005 | Sociedade
Os motivos que as trouxeram para Portugal são diferentes e é pouco provável que permaneçam no nosso país por muito tempo apesar de terem sido “bem recebidas” e se sentirem como se estivessem em casa. As espanholas Marisol Rodriguez e Ana Pidal falam da sua experiência portuguesa.A falta de vagas em Espanha é, na grande maioria dos casos, a razão que traz médicos e enfermeiros para os hospitais portugueses. É o caso da enfermeira Marisol Rodriguez que, em 2001, veio para Portugal à procura de uma oportunidade de emprego. Mas há também quem atravesse a fronteira por razões pessoais. Há dois anos, Ana Pidal decidiu arriscar e dar um rumo novo à sua vida. Deixou a sua terra natal, nas Astúrias, para seguir o namorado que veio trabalhar para Portugal. Licenciada em Medicina há pouco tempo, Ana recusou a vaga que tinha em Espanha para vir fazer a especialidade de Medicina Interna no Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira. Para a jovem médica espanhola a adaptação foi fácil dado ser uma “pessoa aberta e extrovertida”. Para além disso, no hospital foi “muito bem recebida”, tanto pelos restantes profissionais como pelos utentes. Ana Pidal diz que, nestes dois anos, apenas duas ou três pessoas foram desagradáveis com ela. Uma destas situações passou-se recentemente quando um utente lhe disse para “voltar para a sua terra”. Ana minimiza estas situações, que vê como pontuais e que em nada perturbam a sua experiência em Portugal. Experiência que a médica considera muito positiva, apesar das saudades que sente da família, que procura visitar a cada dois meses. A nova língua nunca representou um problema para a médica que, antes de vir para cá, comprou alguns livros para aprender português. “Nunca tive um doente que não me percebesse, mesmo os de 90 anos!”, afirma Ana Pidal, que, no entanto, coloca a hipótese de ainda vir a fazer um curso para melhorar a pronúncia. Neste tempo em Portugal, a vida pessoal de Ana já sofreu algumas mudanças. Terminou o relacionamento com o rapaz espanhol que a trouxe para cá e tem agora um novo com um português. Guiada pelo coração, o futuro de Ana Pidal depende, mais uma vez, da relação que mantém actualmente: “se terminarmos, eu volto para a minha terra”. Para a enfermeira Marisol Rodriguez o futuro já está bem definido e passa por regressar a Espanha. A vinda para Portugal, há quatro anos, foi forçada pela falta de emprego no país vizinho. Por isso, o objectivo de Marisol é “obter tempo de profissão” para depois conseguir um lugar no seu país. Depois de ter passado por outros hospitais portugueses, Marisol Rodriguez integrou a equipa de enfermagem do Hospital Reynaldo dos Santos em Março deste ano. Tal como aconteceu com Ana Pidal, também Marisol afirma ter sido muito apoiada no trabalho e pelos portugueses, que foram sempre “simpáticos, muitas vezes mais do que os espanhóis”. A simpatia da generalidade dos portugueses não impede que haja utentes menos receptivos e que fazem questão de lembrar o velho ditado português que diz que “de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos”. Se para a médica Ana Pidal a língua não foi obstáculo, para Marisol tem sido bem mais complicado. Com muitas dificuldades na pronúncia, a enfermeira faz-se perceber melhor em espanhol do que em português. Sempre que ocorrem problemas de comunicação com um utente, Marisol chama outra enfermeira para a ajudar. Apesar das dificuldades, Marisol Rodriguez assegura que esta questão nunca pôs em causa o seu trabalho de enfermeira.Também na sua vida pessoal os problemas de adaptação à língua não tiveram impacto, já que há quase quatro anos que Marisol mora com um português. Neste momento, é o namorado que prende Marisol Rodriguez a Vila Franca e a Portugal. A enfermeira apenas aguarda que ele seja transferido para junto da fronteira para poder regressar a Espanha e praticar aí a profissão que escolheu.

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