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Operacional Manuel Serra d’Aire

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Edição de 22.02.2006 | E-mails do outro mundo
Há alturas em que me apetece desancar os jornalistas de O MIRANTE. Havia eu de ser um maçanense emigrado que lhes dizia. Levavam com um presunto na cachimónia para aprender. Puseram-se a escrever sobre as filmagens no átrio da Câmara de Mação que davam imagens em directo via Internet para todo o mundo e estragaram tudo.Provavelmente o jornalista não se lembrou que essa era a fórmula encontrada por muita gente para matar saudades da terra e não só. Porque para quem está longe sabe bem ver se as pernas da vizinha continuam bem torneadas e se a sogra continua paquidérmica. Ou mesmo exigir que a esposa apareça pela câmara a horas marcadas para ver se anda vestida com o devido recato de quem tem um marido lá fora a lutar pela vida.O Big Brother de Mação foi um achado brilhante que uma impertinente investigação jornalística veio estragar sem proveito para ninguém. É por estas e outras que há que ter mão nos jornais. O que esse jornalista merecia é que lhe levassem também o computador, como fizeram aos do 24 Horas. Para ver se aprendia. Qual liberdade de expressão qual carapuça!E se à Câmara de Mação lhe apetecesse transmitir em directo a missa dominical do átrio dos paços de concelho? E se ali fossem organizados campeonatos de chinquilho ou de sueca com transmissão directa para todo o mundo? Alguém tinha alguma coisa a ver com isso? Ou será que a liberdade de expressão é só para os senhores jornalistas e os autarcas empreendedores têm que esquecer ou esconder as boas ideias que lhes passam pela cabeça?Grande Manel, esta coisa da liberdade de expressão que mete religiões à mistura anda a pôr-me doido. Como sabes sou um tipo justo nestas coisas: não professo nenhuma e ponto final! Mas respeito quem acredita e os preceitos que defendem. Desde que não me obriguem a cumpri-los.Só que nesta altura qualquer manifestação de rejeição declarada a determinada fé pode ser mal interpretada. É por isso que nos últimos tempos tenho atravessado uma angústia semelhante à do treinador do Benfica sempre que leva na pá. O holandês com cara de bebé tem tanto material para escolher que não sabe o que há-de fazer e baralha-se todo. O mesmo se passa comigo, embora as minhas dúvidas tenham mais a ver com a componente gastronómica. Temo que quando me estou a regalar com uma bela fatia de presunto ou com umas queixadas no forno possa estar a ofender todos aqueles que acham que o porco é um animal tão incomestível como uma telenovela mexicana.E quando me banqueteio com uma costeleta de vaca não poderei eu, infiel europeu, estar a cometer um sacrilégio contra um animal que muitos consideram sagrado? Embora se saiba que há vacas e vacas e umas mais sagradas e loucas que outras.Mais: falando de outras carnes, e agora vem a parte que me apoquenta mais, será legítimo e sensato ofender desnecessariamente a religião católica e os seus prosélitos sempre que se pratique sexo sem o sentido da procriação? Porque, afinal de contas, é de mais um pecado da carne que estamos a falar. E com coisas sérias não se deve brincar…Saudações recatadas do Serafim das Neves
Operacional Manuel Serra d’Aire

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