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Cartaxo teve de vestir fato-macaco

Moçarriense esteve a vencer por duas vezes mas quebrou fisicamente na segunda parte

O Cartaxo venceu este domingo o Moçarriense, por 5-2, mas, ao contrário do que os números podem levar a crer, foi tudo menos uma vitória fácil. A equipa da Moçarria, segunda classificada da zona sul da segunda divisão, esteve a vencer por duas vezes e só na segunda parte os líderes da primeira divisão conseguiram carimbar o passaporte para as meias de final da Taça do Ribatejo.

Edição de 01.03.2006 | Desporto
O Sport Lisboa e Cartaxo, líder isolado do Campeonato Distrital da Primeira Divisão da Associação de Futebol de Santarém, e o Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense, segundo classificado da zona sul da segunda divisão distrital, defrontaram-se no domingo em jogo a contar para os quartos de final da Taça do Ribatejo.Os líderes da primeira distrital venceram por 5-2 mas tiveram de vestir o fato-macaco para consolidarem um triunfo que esteve longe de ser fácil, tendo mesmo estado a perder por duas vezes.O Moçarriense adiantou-se no marcador logo aos três minutos de jogo. Piedade cobrou de forma irrepreensível um livre directo a uns bons 30 metros da baliza, ligeiramente descaído para o lado direito, e fez a bola entrar junto ao poste esquerdo da baliza de Ivo, que neste encontro da Taça substitui Peter, habitual guarda-redes do Cartaxo. O forte vento que se fazia sentir complicou a acção do guarda-redes, mas Piedade é um especialista neste tipo de lances e a bola saiu forte e colocada.O golo deu ainda mais ânimo à equipa da casa, fortemente motivada pela boa carreira no campeonato, onde já não perde há 16 jogos, e o Cartaxo teve muita dificuldade para reagir.Os jogadores do Moçarriense estavam claramente mais empenhados no jogo, chegavam quase sempre primeiro à bola e ganhavam a maior parte dos ressaltos. O treinador da equipa, Filipe Jesus, povoou bastante o seu meio campo, com Piedade, Gonçalo e Nélson, bem coadjuvados pelos restantes colegas, a anularem a acção de jogadores como Telmo Oliveira, Job ou Macieira.O treinador do Cartaxo, Rui Santos, por várias vezes gritou com os seus atletas, tentando motivá-los, mas a equipa não assentava o seu jogo. Apesar de a partir da meia hora de jogo ter passado a dispor de maior tempo de posse de bola, o Cartaxo não conseguia criar lances de perigo junto da baliza de Fábio.Até que, aos 42 minutos, Pipas entrou bem pelo corredor direito e assistiu Bruno Brito. O experiente avançado conseguiu levar a melhor sobre o guarda-redes do Moçarriense, e deu um pequeno toque para o centro da pequena área, onde Paulinho, ao tentar fazer o corte, acabou por introduzir a bola na própria baliza.Mas o empate duraria apenas três minutos. Em cima do final do tempo regulamentar para a primeira parte, Rogério, o homem mais avançado do Moçarriense, saltou à vontade entre os centrais e o guarda-redes e respondeu da melhor maneira a um cruzamento da esquerda, desviando, de cabeça, para o fundo da baliza.A equipa da casa foi assim em vantagem para o descanso, um prémio para o empenho dos jogadores e a atitude do seu treinador. O Moçarriense discutiu sempre o jogo pelo jogo, não se intimidou com o nome do adversário e nunca teve uma postura exageradamente defensiva.Mas na segunda parte tudo mudaria. No primeiro lance após o intervalo, Pelarigo entrou bem pela direita, tirou dois adversários do caminho e cruzou para o centro da área onde Bruno Brito só teve de encostar o pé para empatar novamente o jogo. Estavam decorridos apenas 15 segundos.O golo foi um verdadeiro balde de água fria nas aspirações do Moçarriense e pareceu quebrar um pouco a motivação da equipa. Ao contrário, o Cartaxo passou a jogar melhor. Nuno Casimiro, Telmo Oliveira e Pelarigo pegaram na equipa e os visitantes, agora com o vento pelas costas passaram a dominar o jogo.O terceiro golo surgiu aos dez minutos do segundo tempo, na marcação de um pontapé de canto. Telmo Oliveira cruzou direitinho para a cabeça de Paquita, que saltou entre os centrais e cabeceou para o fundo das redes.As jogadas mais perigosas do Moçarriense saiam dos pés de Piedade. Aos 20 minutos, o camisola 13 da equipa da casa, mais uma vez na marcação de um livre, desta feita uma espécie de canto mais curto, flectido para o interior do terreno, desferiu um remate colocado, que Ivo defendeu bem.O Cartaxo mataria o jogo aos 34 minutos, já com Gabriel e Hugo em campo. O lateral esquerdo Tiago deixou escapar mais uma vez Pelarigo, que fez a diagonal para o centro do terreno e à entrada da área rematou potente, batendo Fábio pela quarta vez.Quatro minutos depois, o lance repetiu-se. Pelarigo levou a melhor sobre Tiago mas desta vez, optou por centrar para a entrada da pequena área, onde apareceu Hugo, o melhor marcador do distrital, a encostar o pé e a estabelecer o resultado final em 5-2.Refira-se que quatro dos cinco golos marcados pelo Cartaxo partiram de lances em que o lado esquerdo da defensiva do Moçarriense foi ultrapassado com alguma facilidade.A vitória do Cartaxo é justa, porque dispõe de melhores opções individuais e foi a melhor equipa no global do jogo, mas a diferença de três golos é claramente exagerada para o que se passou em campo. A vantagem mínima para o Cartaxo seria o resultado mais justo.O trio de arbitragem realizou uma actuação positiva, mas Gonçalo Dias, um dos jovens mais promissores da arbitragem distrital, precisa ter mais cuidado com os critérios, técnico e disciplinar, que utiliza ao longo do jogo. Nem sempre lances iguais foram punidos de forma igual, mas não se pode dizer que tenha sido uma má actuação.Treinador do Cartaxo não ficou surpreendido com as dificuldades“Eu tinhaavisado”No final do jogo, o treinador do Cartaxo, Rui Santos, estava acima de tudo aliviado. O técnico já esperava dificuldades e tinha avisado a equipa dos pontos fortes do adversário.“Tínhamos alertado os jogadores para o perigo das bolas paradas. O Moçarriense é uma equipa que trabalha bem esse tipo de lances e o Piedade é um jogador conhecido por essa característica. Tinha-lhes dito também que em casa eles eram uma equipa muito forte, muito apoiada pelo seu público e que ainda só tinha perdido um jogo esta época”, referiu Rui Santos.O treinador concorda que a sua equipa não esteve bem na primeira parte e que só rectificou no segundo tempo. “Felizmente que ao intervalo rectificámos o que estava menos bem e aos dez minutos já estávamos a ganhar por 3-2. Penso que a partir daí o Moçarriense lutou até ao fim com muita dignidade mas o Cartaxo fez valer a sua melhor valia”.Rui Santos admite que há alguns jogadores que estão um pouco desgastados fisicamente mas não concorda que haja pressão a mais. “Sabemos as responsabilidades que temos, que é um campeonato muito competitivo e que temos um adversário perfeitamente à nossa altura, que é o Fazendense. Penso que a alternância que tivemos de jogar em campos relvados e pelados alterou um pouco a dinâmica da equipa. Enquanto jogámos sempre na relva tivemos uma dinâmica melhor.”Sobre a estranha saída de Gabriel, 13 minutos depois de ter entrado em campo, sem se vislumbrar qualquer lesão, Rui Santos comentou apenas que isso é um assunto interno do clube.Do lado do Moçarriense, Filipe Jesus, apesar da derrota, gostou da entrega dos seus jogadores. Em sua opinião, o segundo golo do Cartaxo, aos 15 segundos da segunda parte, foi decisivo para o desfecho do jogo.“Esse segundo golo teve um peso muito forte no resultado final. Entrámos meio a dormir e com equipas como o Cartaxo não se pode facilitar. Nós falhámos logo aos 15 segundos e a partir daí o Cartaxo começou a tomar conta do jogo e acabou por vencer bem, embora por números exagerados”.No campeonato, onde a sua equipa está a fazer uma óptima carreira, ocupando actualmente o segundo lugar, Filipe considera que chegar à liderança é complicado, mas não impossível. “Ainda temos de receber o nosso adversário aqui. Vamos pensar jogo a jogo. O próximo é em casa e vamos tentar ganhar pontos ao terceiro e ao quarto, para ver se ganhamos uma certa estabilidade. Depois logo se vê”.

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