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Gastrónomo Serafim das Neves

Gastrónomo Serafim das Neves

Edição de 01.03.2006 | E-mails do outro mundo
Compreendo a tua preocupação. Também eu me sinto culpado depois de comer uma boa febra mas prefiro a penitência à abstinência. Por isso declaro solenemente que irei continuar na senda dos pecados da carne mesmo que isso me conduza, como conduzirá, directamente ao inferno. Não quero saber de vacas sagradas. Para mim, vacas são vacas e ponto final. Com mais carne ou maiores tetas mas vacas. Se alguns se lhes ajoelham aos pés a rezar isso é lá com eles. Eu não sou homem para criticar esses desvios e desvarios mas não comungo tais exemplos. Quem também não liga a futilidades é a rapaziada socialista de Torres Novas. Ali ao menos sabe-se quem manda. Há um chefe, um rumo, um destino. Tudo nos conformes como convém. Nada de balbúrdias. Nada de ribaldarias. O Presidente António Rodrigues manda e os restantes obedecem. O respeitinho pelas hierarquias é a chave da democracia. A garantia da tranquilidade que tanta falta faz ao desenvolvimento e progresso das regiões.Naquele abençoado concelho o partido do poder fala a uma só voz. A voz de comando do camarada António. Ele dá uma ordem e os subordinados obedecem cegamente. Sem discussões estéreis ou histéricas. É a passagem à prática da milenar sabedoria popular. Quando um burro fala os outros baixam as orelhas. O resto é conversa.A oposição estrebucha. A comunicação social protesta. E o Presidente da Câmara impávido e sereno. Nem um pelinho do bigode abana. E se aquele bigode Estaliniano tem pelos para abanar… Agora escolheu para assessor o seu amigo Piranga, que é o Presidente da Assembleia Municipal. Uma jogada de mestre como perceberás. É a transparência total do trabalho autárquico. Ele não se limita a constatar que cabe à Assembleia Municipal fiscalizar a actividade da câmara. Ele vai mais longe. Coloca o próprio Presidente da Assembleia no seu gabinete para que ele possa observar diariamente o seu trabalho. Mais democrático que isto é impossível. É claro que para a oposição nada está bem. Em Portugal há esta mania de que ser oposição é refilar sempre. Votar contra tudo. Apresentar moções de protesto. Convocar manifestações de desagravo. Foi logo um bruá-bruá do caraças. Por causa da ética, da estética, do raio que os parta a todos, digo eu, parafraseando, em tom mais moderado, o alvo das críticas. Ainda se eles dissessem que a fiscalização da actividade presidencial pode estar comprometida pelo facto do senhor Piranga ser um ferrenho adepto das sestas?!!! Mas não. Aquela gente não tem capacidade para ir ao essencial das questões, fica-se sempre pelo acessório. Pelo anedótico. Alguma vez passaria pela cabeça do senhor Piranga esquecer-se que é Presidente da Assembleia Municipal quando está a fazer de Assessor do Presidente da Câmara ou vice-versa?!!! Só quem não o conhece é que poderá levantar tão torpe suspeita.E já que estamos em matéria de inovações não posso deixar de referir o que se está a passar com o esforço da polícia para acabar com alguma balbúrdia informativa que se estava a instalar. O mais recente exemplo foi aquela rusga matinal ao bairro Frederico Ulrich no Entroncamento. A técnica foi a mesma dos grandes eventos sociais, como casamentos de futebolistas ou de estrelas de cinema. A entrega do exclusivo a um órgão de informação com créditos firmados. No caso à TVI. Assim não houve atropelos nem deturpações. E ganhámos todos. O camara-man destacado pôde filmar com toda a tranquilidade a saída dos polícias das carrinhas sem ter outros colegas a atravessarem-se à frente. Apanhar os melhores ângulos das entradas nas casas, da apreensão de material, das detenções… Não sei se houve necessidade de repetir alguma cena mas se houve tudo correu nas calmas porque não havia aquela pressão que os grandes aglomerados de jornalistas sempre provocam. Os atropelos, as manipulações de imagens, as perguntas incómodas, etc etc. Estão todos de parabéns. E ainda há a possibilidade de o Baile de Máscaras, título escolhido para a produção, vir a ganhar o próximo festival de curtas-metragens.Um abraço em exclusivoManuel Serra d’Aire
Gastrónomo Serafim das Neves

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