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Alerta amarelo na Fundação Padre Tobias

Relatório da inspecção da segurança social detectou falhas graves

O lar e a creche Padre Tobias em Samora Correia não respeitam normas básicas de funcionamento. O relatório da inspecção da segurança social lançou vários alertas à instituição que pode estar comprometida se não forem tomadas medidas imediatas. O tesoureiro confirma as preocupações.

Edição de 01.03.2006 | Sociedade
O lar de idosos não está licenciado, não tem processo de segurança contra incêndios e tem 10 idosos a mais do que o previsto. A cozinha da creche que confecciona refeições para 200 bebés e crianças, não respeita as normas, a louça ainda é lavada à mão. O espaço do recreio das crianças não é seguro. A instituição necessita de um gestor habilitado e a tempo inteiro e tem de criar uma central de compras.Estes são apenas, os pontos mais sensíveis do relatório dos inspectores da Segurança Social que durante cerca de dois meses passaram a pente fino o funcionamento e gestão da Fundação Padre Tobias. A tutela vai dar um prazo para que sejam implementadas as medidas correctivas, mas a instituição não tem dinheiro para custear as despesas.A informação foi avançada pelo tesoureiro da instituição na última reunião pública da Junta de Freguesia de Samora Correia. Hélio Justino, presidente da junta, justificou a prestação de esclarecimentos com o facto de integrar o conselho de administração da fundação em representação da freguesia.Segundo o autarca, a instituição está a viver acima das suas possibilidades e “se não forem tomadas medidas de imediato”, corre o risco de não ter dinheiro para pagar os salários de mais de uma centena de funcionários.A título de exemplo referiu o “esbanjamento” de dinheiro com as comunicações. A instituição estava a gastar 850 euros mensais e uma revisão do contrato com a empresa permitiu poupar 200 euros mensais. Hélio Justino recordou que há dois anos a fundação tinha 200 mil euros de saldo positivo e hoje tem apenas 56 mil euros aplicados a prazo.Segundo o autarca, estava negociada a compra de um mini autocarro por 40 mil euros, mas a transacção foi adiada porque “não há dinheiro”. Hélio Justino referiu que nem sequer há verba para comprar as batas para as funcionárias que vão ter que esperar pela entrada de receitas. Em 2004, a instituição recebeu 805 mil euros de subsídios e gastou 890 mil em despesas com pessoal. O ex-tesoureiro, Carlos Luís Henriques, que foi também presidente da junta, admitiu que a situação é complicada, mas recordou que “gastou-se o dinheiro, mas melhorou-se as condições das crianças e idosos” e salientou os investimentos feitos no sistema de aquecimento e na segurança das instalações da creche. O antigo administrador defendeu que a fundação deve ser gerida por um profissional. Hélio Justino considerou que houve “má gestão”, mas não avançou com pormenores. À margem da reunião, O MIRANTE apurou que alguns utentes não pagam as mensalidades. Há mesmo um caso de um idoso cuja filha passou mais de cinco mil euros de cheques sem cobertura sem que a instituição tenha apresentado queixa ao Ministério Público no prazo legal. Alguns arrendatários também têm rendas em atraso. Outra situação, prende-se com o pagamento de mais de dois mil euros por um levantamento topográfico no Bairro Padre Tobias quando, segundo fonte da fundação, a instituição poderia ter recorrido aos serviços topográficos da Câmara Municipal de Benavente que fariam o trabalho gratuitamente.Hélio Justino frisou a necessidade de rever os estatutos da fundação. A instituição é gerida por um conselho de administração presidido pelo Padre Manuel Guedes (nomeado pelo Arcebispo de Évora) e secretariado pelo Padre Joaquim Pinheiro (em representação da paróquia local). O presidente da junta deveria assumir apenas a tesouraria, mas a falta de tempo dos sacerdotes obriga Hélio Justino a dedicar parte do dia a resolver assuntos da fundação. “É uma administração ausente e não pode ser”, lamenta o tesoureiro. A ideia é corroborada pelo seu antecessor. Carlos Henriques confessa que sentiu as mesmas dificuldades e defende que a junta de freguesia deve colocar o problema ao Arcebispo de Évora que detém a tutela da instituição por força do testamento do Padre Tobias.O MIRANTE tentou falar com o presidente do conselho de administração da fundação, Padre Manuel Guedes, mas o administrador não esteve disponível até ao fecho desta edição.A Fundação Padre Tobias apoia 150 idosos nas valências de lar, centro de dia e apoio domiciliário e mais de 200 crianças dos três meses aos seis anos sendo uma instituição considerada “imprescindível” na comunidade onde vivem mais de 15 mil pessoas. Nelson Silva Lopes

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